PARECERES DO EMINENTE PARAPSICÓLOGO WELLINGTON ZANGARI E DE OUTROS PESQUISADORES, RELACIONADAS A ALGUNS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS


Relatarei a seguir, uma troca de correspondências e debates em Fóruns com um dos mais conceituados Parapsicólogos desse País, Wellington Zangari, além do depoimento de Estudiosos das Ciências Psi. Os seguidores de Quevedo deveriam saber que a Parapsicologia não se restringe às paredes do CLAP e às arrogâncias desse reverendo e pseudo-parapsicólogo.

Bacharel em Psicologia com formação clínica pela Universidade Paulista, Wellington Zangari é especialista em Psicanálise ; Mestre pelo Programa de Estudos Pós- Graduados em Ciências da Religião (PUC-SP) ; Membro da P.A - Parapsychological Association ; Doutorando em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da USP e Coordenador do Instituto de Pesquisas Interdisciplinares das Áreas Fronteiriças da Psicologia : Inter Psi - Grupo de Estudos de Semiótica, Interconectividade e Consciência do CEPE ( Centro de Estudos Peirceanos ), COS ( Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica ), da PUC-SP, a primeira iniciativa acadêmica de estudar os fenômenos conhecidos como paranormais, com o objetivo identificar, à luz da metodologia científica, quem está de fato vivenciando experiências por enquanto inexplicáveis.


VAMOS ÀS PALAVRAS DE WELLINGTON ZANGARI, REFERENTES A ALGUNS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS :


" A Parapsicologia, como qualquer outra ciência, está fundamentada em alguns pilares metodológicos que servem de guia para suas atividades Um deles é a delimitação de seu campo de estudo, seu objeto. O que estuda são experiências humanas aparentemente extra-sensório-motoras. Isso significa que, frente a alegação de extra-sensorialidade/extra-motricidade, o(a) parapsicólogo(a) empreende estudos no sentido de reconhecer as causas dessa alegação (...) Frente a alegações de comunicação com os espíritos, cabe à ciência avaliar se há hipóteses conhecidas e consagradas que dêem conta de explicá-las. Se há, ótimo. Se não há, então que se estude mais."

" Um outro pilar científico é o respeito à lei de economias das hipóteses, ou Lei de Occam. Tal postulado prega que devemos em ciência sempre preferir as hipóteses mais simples às mais complexas. Assim, dada uma alegação extra-sensório-motora, cabe avaliar se existe alguma hipótese explicativa reconhecida e, em havendo mais de uma, escolher a menos complexa. Se esta é suficiente, então permanecemos com ela. As hipóteses mais simples : O que é informado nas sessões de TVP é possível de ser obtido, em última instância ( quando variáveis mais simples não são encontradas ) pela capacidade extra-sensório-motora humana, ou seja, por percepção extra-sensorial. Fala-se, por exemplo, de vidas passadas, com detalhes das vidas das pessoas. A hipótese de ESP pode muito bem ser empregada nesses casos. Tal hipótese tem sido testada há mais de um século e, como vejo, com bons resultados a seu favor."

" Pelo exposto, depreende-se, portanto, que a preocupação dos parapsicólogos e instituições parapsicológicas se concentra no reconhecimento das capacidades humanas, das variáveis que interferem sobre elas. Posso lhe garantir que simplesmente não sabemos quais seriam, em sua totalidade, as variáveis que afetam a produção da ESP ( Extra-Sensory Perception / Percepção Extra-Sensorial : Telepatia, Clarividência e Precognição ) e da PK ( Psichokinesis / Psicocinesia : Existência de uma forma de ação humana sobre o meio físico em que não seriam utilizados quaisquer mediadores ou agentes, músculos ou forças físicas ). Como membro da P.A - Parapsychological Association, posso lhe afirmar que a Parapsicologia moderna simplesmente não está interessada na ação de supostas entidades espirituais, mas no desenvolvimento da compreensão científica das variáveis que afetam as funções psi ( ESP e PK ). Assim sendo, conclui-se que não sabemos os limites desse potencial Jefferson, agora temos a possibilidade de discutir outro aspecto fundamental no tratamento do tema : Ninguém pode afirmar, a partir dos dados obtidos pela pesquisa parapsicológica, portanto, que espíritos não existam ou que não se manifestem !!! Se os parapsicólogos não reconhecem os limites de atuação da ESP e da PK, então, como saberiam se em determinado evento não estaria ocorrendo uma ação espiritual ??? O máximo que se pode afirmar é que, cientificamente, tal hipótese não é necessária, pelas razões expostas acima, mas nunca que ela tenha sido descartada !!! "

" Alguns parapsicólogos, sobretudo de tendência católica, alegam já conhecer os limites de ESP e de PK ( na verdade da telergia ). A primeira seria regida pelo "prazo existencial", ou seja, limitada a cerca de dois séculos, uma geração ao passado e outra para o futuro. Além disso, não agiria fora do globo terrestre. A ação extra-motora, explicada por esses como sendo resultante da emanação da telergia ( uma espécie de "energia" humana ), teria uma abrangência de atuação de mais ou menos 50 metros! No entanto, NÃO existem dados empíricos científicos para a existência de tais limites ! NENHUMA instituição parapsicológica respeitada e NENHUM(A) parapsicólogo(a) reconhecido(a) aceitam a existência do tal prazo existencial."





ZANGARI ADMITE QUE AS CIÊNCIAS PARAPSICOLÓGICAS NÃO PODEM EXPLICAR CASOS LIMITES DE MANIFESTAÇÕES MEDIÚNICAS E PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL.

Em um Fórum de debates, Wellington Zangari faz alguns comentários sobre o que a Parapsicologia nos apresenta hoje e os Fenômenos Espíritas :

Mensagem original postada por Zangari :

Minha crítica básica [ a Gary Schwartz * ] esteve ligada :
(...)
À impossibilidade de diferenciar entre "percepção extra-sensorial" e "informação dos mortos”.
(...)
A teoria espírita não apresentou ainda dados em que possam ser excluídas outras interpretações mais prosaicas, mais heterodoxas.

Mas, posso lhe dizer claramente que há casos que eu chamaria de "limite". Esses casos-limite são aqueles em que haveria uma alegadamente "transferência" de habilidades, como a de falar uma língua desconhecida pelo médium, a de tocar um instrumento musical sem ter aprendido, ou dançar uma dança que lhe é desconhecida, cantar uma música existente mas aparentemente desconhecida... Bom, não tenho visto muitos desses casos bem documentados.

Mas há uns poucos que me fizeram suspender meu juízo e aguçar minha percepção !!! Qualquer pessoa que lide com aspectos psicológicos e neurológicos do desenvolvimento de habilidades, sabe que trata-se de um sistema extremamente complexo e que leva tempo para ser desenvolvido. Acho que, se esses casos existem e são reais, e não fraude de testemunho, eles podem dar muito trabalho aos cientistas ! Digo isso porque a transmissão alegadamente extra-sensorial é, via de regra, relacionada a dados bem mais simples, que não exigem tanto processamento cognitivo, neuronal...

Bom, não quero dizer com isso que tais casos sejam evidências de vida após a morte, de incorporação real de mortos em vivos... Não. Estou afirmando que esses são casos-limite para a hipótese da percepção extra-sensorial. Primeiro porque não há estudos de transmissão de habilidades em estudos psi, o que nos deveria instigar a buscar pelo desvendamento dessa possibilidade ( Com o Vitor Visoni tenho discutido isso em outra lista. Talvez façamos um estudo empírico dessa hipótese depois de meu pós-doc ). É uma questão interessante de ser estudada."



* Gary Schwartz – Ver estudos deste Cientista Americano, neste Site, em :

Texto 15 –  (...) Cientista Americano admite a Mediunidade - University of Arizona.





EM UM FÓRUM, ZANGARI EXPÕE OPINIÕES PESSOAIS E SUA EXPERIÊNCIA COM A COMUNIDADE ACADÊMICA :

(...)

" Meu compromisso não é o de apresentar minhas idéias, meus conceitos, minhas pesquisas. Claro, apenas apresento o que, de fato, parece-me bem fundamentado, lógico, científico. Mas meu interesse, em conjunto com vários colegas, tanto do Inter Psi quanto de outros grupos pelo país, é o de divulgar, informar, conhecimentos adquiridos pela Pesquisa Psi. Nesse contexto, parte de meu/nosso trabalho, tem sido o de diferenciar nossa perspectiva daquelas defendidas por outras pessoas que se auto-intitulam "parapsicólogas". Quevedo é um dos que tem feito um enorme desserviço ao campo e, com ele, seus propagandistas. Se o Turatti se reservasse exclusivamente a ser divulgador da "obra quevediana" não me teria feito qualquer incômodo. Este senhor, no entanto, fez críticas a mim em discussões das quais eu não participava. Quando tentei dialogar com ele a respeito dessas críticas, não recebi dele qualquer resposta. Tornei o debate público e, nem assim, Turatti se dignou a "aparecer".

Obviamente, a esquiva "turáttica" é uma estratégia. Uma estratégia de quem simplesmente reconhece sua incapacidade argumentativa. Diálogos com os "diferentes" é o que estou acostumado a fazer, quer na academia, quer fora dela. É um exercício que gosto. Nesse sentido, tenho debatido com espíritas (na Fórum Virtual de Pesquisa Psi temos alguns), com católicos, com "céticos radicais"... Já fui alvo de várias críticas mesmo vindas de dentro da comunidade psi. Algumas delas fundamentadas em perspectivas diferentes das minhas, mas justificáveis. Outras, baseadas claramente em sentimentos menos nobres, injustificáveis. Mas jamais deixei de debater com quem quer que seja. Alguns de meus críticos, no entanto, atiram a pedra ... e saem correndo ! Acho graça !


(...)

No começo deste ano [ 2005 ] realizei um estágio pós-doutoral na Division of Personality Studies ( Univ. de Virginia ), do qual o Dr. Greyson é o atual diretor. Infelizmente, o Dr. Stevenson, que foi criador e o seu diretor por maior tempo, está com sérios problemas de saúde, visitando apenas ocasionalmente a Division ! Fátima Regina Machado e eu fizemos duas apresentações a respeito do campo no Brasil. Falamos da Pesquisa Psi no contexto brasileiro. Evidentemente, informamos sobre Quevedo ( um total desconhecido para eles ! ), sobre Hernani Guimarães Andrade ( este mais conhecido por ter mantido correspondência e por ter realizado pesquisas conjuntas com Stevenson ) ... Apresentamos algo a respeito dos "cirurgiões psíquicos", dos psicopictógrados ... para olhos espantados ! "





PESQUISA BASEADA NO ÓRGÃO OFICIAL DO DEPARTAMENTO E INSTITUTO DE PSIQUIATRIA DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-60832003000100003&script=sci_arttext


Charles Tart (2000, pp. 33-50) enfatiza que o preconceito de que nosso estado ordinário de consciência é algo natural e o único modo de lidar corretamente com a realidade, é um grande obstáculo à compreensão da natureza da mente e dos estados de consciência.

Nossas percepções do mundo e de nós mesmos, bem como nossas reações a eles, são construções semi-arbitrárias. Apesar de terem uma base na realidade física, são dependentes dos recursos da nossa aparelhagem biológica e moldados pelo ambiente cultural onde nos desenvolvemos. Pelo fato de sermos humanos, um grande ( mas finito ) leque de potenciais nos são disponíveis.

Pelo fato de nascermos em uma cultura particular, somente uma pequena porção desses potenciais se realizarão. Cada cultura valoriza e desenvolve um determinado repertório de capacidades e condena, suprime, outros. Cada um de nós é o beneficiário dessa herança e vítima e escravo dessa estreiteza de nosso próprio estado de desenvolvimento social. Assim como quase todas as pessoas, de todas as atividade e desenvolvimento intelectuais, em todas as épocas, pensamos que nossa cultura local é a melhor e que as outras são selvagens e atrasadas.

Geralmente não percebemos que nosso estado ordinário de consciência é apenas um dentre os muitos possíveis de interpretar e interagir com o ambiente, com suas vantagens e limitações. Cada estado de consciência pode trazer informações adicionais, ajudando-nos a ter uma compreensão mais global de nós mesmos e do mundo em que vivemos. Então, o autor faz um desafio : O método científico será expandido para a investigação dos estados de consciência ou o imenso poder dos EAC ( Estados Alterados de Consciência ) continuará a ser deixado nas mãos dos diversos cultos e seitas ? ( Tart, 1972 ).

O repertório oferecido pelo vocabulário ocidental para a descrição de vivências espirituais é extremamente deficitário (Hufford, 1992). A linguagem que usamos para nos comunicar sobre questões da vida diária não é adequada para a descrição das vivências em um EAC, que muitas vezes é tida como inefável. As palavras e as estruturas da nossa língua são ferramentas muito inapropriadas para descrever sua natureza e dimensões, particularmente para aqueles que não as vivenciaram (Grof, 2000).

A atitude do investigador pode ter sérias implicações sobre os dados obtidos e sobre o indivíduo que relata suas experiências. Um risco é este "incrementar" seu relato ou então omiti-lo, dependendo se o pesquisador assume uma postura entusiástica ou hostil ( Stevenson e Greyson, 1979; Owens et al., 1991 ). Como as pessoas de um modo geral sabem que os "cientistas" tendem a desqualificar os EAC ou considerá-las sinais de instabilidade mental, grande parte dessas vivências são dissimuladas ( Hufford, 1992 ).

Tanto pela sua formação ( que tende a fornecer uma visão pejorativa das dimensões religiosas e místicas da vida ), como pelo fato de os profissionais de saúde mental serem bem menos religiosos que a população geral, estes têm uma grande dificuldade de empatizar com tais vivências ( Lukoff et al., 1992). Uma postura hostil e/ou "psiquiatrizante" diante de muitas experiências e crenças pode trazer graves consequências para aquele que as vivencia. ( Lu et al., 1994; APA, 1990 ).

Os EA ( Estados Alterados ), inúmeras vezes, desafiarão nossos conhecimentos e engenhosidade científica. Frequentemente, elas poderão não ser adequadamente investigadas pelos desenhos tradicionais de estudos ( Berenbaum, 2000 ). Sem perder o rigor científico e o senso crítico, será necessário desenvolver novas abordagens. A tarefa de criar novos paradigmas metodológicos é a empreitada daqueles que se aventuram por um caminho ainda pouco trilhado.


Referências :

TART, C.T. – States of Consciousness and State-Specific Sciences. Science 176: 1203-10, 1972

TART, C.T. – States of Consciousness. Lincoln, Authors Guild Backprint.com Edition, 2000 (1983).

GROF, S. – Psychology of the Future – Lessons form Modern Consciousness Research – New York. State University of New York Press, pp. 276-7, 2000.

HUFFORD, D.J. – Commentary. Paranormal Experiences in the General Population. J Nerv Ment Dis 180: 362-8, 1992.

STEVENSON, I.; GREYSON, BRUCE. – Near-Death Experience: Relevance to the Question of Survival after Death. JAMA 242: 265-7, 1979.

GREYSON, BRUCE.; STEVENSON, I. – The Phenomenology of Near-Death Experiences. Am J Psychiatry 137: 1193-6, 1980.

BERENBAUM, H.; KERNS, J.; RAGHAVAN, C. – Anomalous Experiences, Peculiarity and Psychopathology. CARDEÑA, E.; LYINN, S. J. & KRIPPNER, S. Varieties of Anomalous Experience: Examining the Scientific Evidence, Washington DC, American Psychological Association, 2000.




DISSERTAÇÃO. MESTRADO NO INSTITUTO DE PSICOLOGIA – USP


Machado, Fátima Regina (2005). Parapsicologia no Brasil: Entre a cruz e a mesa branca. Boletim Virtual de Pesquisa Psi , Vol 2.

Profa. Dra. Fátima Regina Machado

Inter Psi - CENEP - COS - PUC/SP Faculdade de Comunicação e Filosofia - PUC/SP Instituto de Psicologia - USP

http://psibr.com.br

Obs. Inicial : Nem toda a dissertação foi aqui exposta, sendo ainda reposicionados certos segmentos. Alguns comentários meus foram referenciados numericamente no teor da dissertação e colocados mais ao final. O texto integral encontra-se no link acima.


Em minha dissertação de mestrado “A Causa dos Espíritos : Um estudo sobre a utilização da Parapsicologia para a defesa da fé católica e espírita no Brasil”, defendida com êxito em 1996 no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC/SP, apresento um estudo comparativo entre três abordagens adotadas para o estudo dos chamados fenômenos parapsicológicos, com concentração de interesse no tratamento dado à investigação dos chamados casos Poltergeist. Os propositores das diferentes abordagens em questão foram Oscar Gonzales-Quevedo, Hernani Guimarães Andrade e William Roll, a cada um dos quais dedico um capítulo, expondo sua trajetória de estudos, seu envolvimento com a Parapsicologia e sua abordagem de pesquisa.

A disputa entre católicos e espíritas teve como principal arma de ataque e defesa conhecimentos científicos interpretados à luz de cada uma das doutrinas conflitantes. Essa “competição” começou na primeira metade do século XX. Nesse período, a Igreja Católica viu ameaçada sua hegemonia em terras brasileiras pelo crescente aumento de adeptos ao Espiritismo e de pessoas que, mesmo continuando oficialmente católicas, participavam de sessões mediúnicas, desde fins do século XIX.

Em 1953, a Igreja Católica, por intermédio do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), declarou o Espiritismo um desvio doutrinal perigoso e iniciou, no país, uma forte campanha de educação contra o kardecismo e a Umbanda. Os principais autores católicos do período foram Frei Boaventura Kloppenburg (1957; 1960; 1961a; 1961b; 1967; 1972) e Álvaro Negromonte (1954). Os adversários espíritas, Carlos Imbassahy (1935; 1943; 1949; 1950; 1955; 1961; 1962; 1965; 1967; Imbassahy & Granja 1950) e Deolindo Amorim (1949; 1955; 1957; 1978; 1980) rebatiam os ataques católicos através da publicação de artigos e livros.

Na década de 1960, o então seminarista espanhol Oscar González Quevedo, mais tarde fundador do Centro Latino Americano de Parapsicologia (CLAP), foi enviado ao Brasil com a tarefa de “livrar” o país da superstição espírita. Um de seus principais antagonistas foi o engenheiro e intelectual espírita Hernani Guimarães Andrade, fundador do Instituto Brasileiro de Psicobiofísica (IBPP). Iniciou-se, então o que Hess chamou de guerra de palavras (Hess, 1987a, p. 473) entre católicos, representados por Quevedo, e espíritas kardecistas, representados por Andrade. Apesar de o embate ter sido arrefecido pelo passar dos anos, essa “guerra” continua até nossos dias. (Zangari & Machado, 1995b, p. 505). Quevedo continua ativo e presente na mídia e, embora Andrade tenha falecido em 2003, há outros importantes defensores do pensamento espírita, lutando ainda para defendê-lo e estabelecer um vínculo entre a doutrina e o saber científico.

Quevedo, sendo um interessado pelos chamados fenômenos parapsicológicos desde criança, desenvolveu todo o seu conhecimento na área de acordo com um ambiente europeu, branco e jesuíta. Demonstra ter recebido uma formação iluminista1 quando trata do Espiritismo, o que não acontece quando trata de milagres. Como o próprio Quevedo afirmou em entrevista a mim concedida em 1996 no CLAP, seu envolvimento com a Parapsicologia se deu em parte devido a planos pessoais e, em parte, pelos planos traçados por pelo Pe. Vicente Gonzales, superior da província do Brasil em 1959, que viu em Quevedo alguém que teria a possibilidade de empreender uma luta eficaz contra o Espiritismo crescente no Brasil.

Segundo o Foundations for Parapsychology , publicado em 1986 nos EUA, escrito por membros da Parapsychological Association , a mais importante associação internacional de pesquisadores(as) psi, a Parapsicologia seria “...o campo científico que estuda as interações sensoriais e motoras que aparentemente não são mediadas por nenhum mecanismo ou agente físico conhecido” (Rush, 1987, p. 4). Andrade e Quevedo apresentam definições bem distintas para o que seja Parapsicologia. Quevedo a define como “a ciência que tem por objeto a comprovação e a análise dos fenômenos à primeira vista inexplicáveis que apresentam, porém, a possibilidade de serem resultado de faculdades humanas” (Quevedo, 1982, p. 21). Esta definição é bastante falha.

Fenômenos aparentemente inexplicáveis existem muitos e certamente há vários que não pertencem ao escopo da Pesquisa Psi. Podem ocorrer fenômenos geológicos, meteorológicos, médicos etc., que à primeira vista sejam inexplicáveis, mas com certeza, há ciências pertinentes que se ocuparão destes, e não a Pesquisa Psi. Além disso, a definição quevediana abre caminho à possibilidade de esses “fenômenos inexplicáveis” não serem fruto da ação humana, mas não deixa claro quais seriam essas outras possibilidades de intervenção. Na realidade, Quevedo parte do princípio de que os fenômenos podem ser provocados ou pelo ser humano vivo ou por intervenção divina, nunca por espíritos. E fecha questão.

Quevedo também apresenta um modelo “definitivo” de explicação para os chamados fenômenos parapsicológicos. Considerando-se os Poltergeists, por exemplo, ele e sua equipe partem para investigações de casos com respostas prontas, querendo dissipar “aquele mal”, procurando por algum adolescente que seria o responsável pelo fenômeno. A ocorrência de um Poltergeist é, segundo Quevedo, sinal de patologia. O que importa, então, é “esclarecer com caridade a família afetada e fazer o fenômeno parar de ocorrer”. E, para isto, é preciso seguir as instruções do CLAP. O fato de se garantir que seguindo as orientações e submetendo-se ao tratamento proposto pela equipe o problema será resolvido cria uma subordinação dos personagens dos casos ao CLAP e, por conseguinte, à doutrina católica. A lista de procedimentos de investigação (Friderichs, 1980, p. 21-24) inclui rezas e bênçãos, especialmente se a família não professar a religião católica, e advertências caridosas acerca dos perigos trazidos pelo Espiritismo. Como se pode notar, esses procedimentos não configuram uma pesquisa de campo científica, mas sim uma visita de caráter catequético.

Quevedo ataca explicitamente o Espiritismo e não faz questão de esconder sua verdadeira intenção de desmistificar os chamados fenômenos espíritas através da Parapsicologia. Como se falasse em nome dos(as) pesquisadores(as) psi em geral, Quevedo afirma :

“A Parapsicologia opõe-se à posição espírita por tê-la como ‘apriorística' e supérflua; porque não explica o que trata de explicar e porque tem sido demonstrado que seus fundamentos não resistem ao rigor da experimentação científica. Por outra parte, quero deixar claramente estabelecido que isto não quer dizer que a Parapsicologia negue alguma intervenção produzida de vez em quando ‘de lá para cá', espontaneamente, por poder divino. Existem fenômenos que a Parapsicologia não tem podido explicar : aquilo que nós chamamos de milagres. Mais ainda, fenômenos que superam claramente as possibilidades humanas. Tais fenômenos só aconteceram em contexto religioso divino. À exceção destes poucos fenômenos, insisto em que todos os demais os explicou e os explica hoje a Parapsicologia como fatos naturais. São fenômenos da alma humana não atribuíveis aos espíritos nem a nenhuma outra entidade.” ( Quevedo, 1973, p. 21 ).

Porém, Hernani Guimarãres rebate :

“A precariedade de informação atrás demonstrada teve outras conseqüências negativas, no tocante à Parapsicologia em nosso país. Propiciou a proliferação de pseudo-parapsicólogos com objetivos escusos e não-científicos. Entre esses aventureiros, alguns religiosos fanáticos e intolerantes procuram disseminar a confusão no seio da massa leiga, usando indevidamente o nome da Parapsicologia como suporte de seus absurdos ataques ao Espiritismo. Aproveitando-se da ingenuidade da maioria mal informada, lançaram mão de vulgares argumentações não científicas a favor de suas teses esdrúxulas.”

Quevedo abriga sob o termo Espiritismo todas as religiões mediúnicas. Pretende provar que o Espiritismo é uma tapeação, pois, segundo o padre, contraria fatos científicos comprovados. Além disso, Quevedo é declaradamente sectarista : para ele, o milagre, o único fenômeno sobrenatural que, segundo ele, seria aceitável2 , só ocorreria em ambiente católico.

Embora tais tentativas de desmoralização do Espiritismo ainda que não tenham produzido o efeito colimado, elas geraram uma reação inesperada. Criaram imerecida aversão contra a Parapsicologia por parte de diversos líderes espíritas que se deixaram impressionar pelo abundante palavreado e pelas mágicas circences empregadas a título de “demonstrações científicas” das aulas proferidas por alguns daqueles sectaristas. A referida reação da parte de vários dirigentes espíritas tem prejudicado a necessária penetração da Parapsicologia no âmbito das elites kardecistas, impedindo que se aproveitem das pesquisas parapsicológicas no enriquecimento do seu patrimônio científico. Quevedo deixa explícito que seu trabalho em Parapsicologia é basicamente voltado à observação dos fatos e à pesquisa bibliográfica. Suas referências, no entanto, são praticamente todas anteriores ao início da década de 1970. Quevedo extrapola os resultados de pesquisas, apropriando-se de dados não conclusivos e adequando-os a suas intenções, utilizando-os como provas irrefutáveis.

Um aspecto interessante do discurso de Quevedo são as palavras que utiliza ao se referir a pesquisadores quando os cita ou menciona. Durante a entrevista a mim concedida em 04/09/1996, por exemplo, refere-se aos ensinamentos espíritas como “erros de Kardec”. As palavras que Quevedo escolhe para compor seu discurso deixam explícita sua postura. Quando o pesquisador, segundo a interpretação de Quevedo, corrobora suas ideias, recebe adjetivos como: “o grande”, “o ilustríssimo”, “o celebérrimo” etc. Mas quando se refere a pesquisadores que têm tendências diferentes da sua, ainda que Quevedo esteja utilizando o nome de algum deles para corroborar sua ideia, estes podem receber algum adjetivo negativo ou ser alvo de alguma observação não elogiosa. O mesmo não acontece com Andrade, que nas conversas procurava sempre elogiar aqueles a quem se referia, compartilhassem ou não de suas opiniões.

É notável, a diferença de tratamento dado a Crawford e William Crookes. Parece que Quevedo apenas utilizou o exemplo de Crawford para demonstrar que nas sessões espíritas a telergia supostamente está presente, mas quem vem confirmar mesmo essa hipótese, segundo ele, é Crookes, “o sábio”, “o celebérrimo”, que não realizou suas pesquisas em sessões espíritas, mas sim, sob “condições magníficas de experimentação” e não com qualquer um, mas com, talvez, “o mais notável dos dotados”, D.D.Home, que, até onde se sabe, nunca foi flagrado em fraude. O fato de Crawford ter feito experimentos sobre um certo tipo de força e esses experimentos terem correspondido às suas hipóteses, não significa que a força detectada por ele tenha necessariamente a ver com a telergia postulada por Quevedo, o mesmo acontecendo com Crookes.

Quevedo foi criticado pelo psicólogo porto-riquenho Alfonso Martínez Taboas em um artigo publicado, entre outros meios, pela Revista Brasileira de Parapsicologia (1993). Nesse artigo, Taboas afirma que não se pode negar que os livros e artigos de Quevedo citem, como referência, grande quantidade de obras clássicas, porém,

...se fazemos uma revisão crítica e detida em seus [de Quevedo] argumentos e documentação, nos defrontaremos com algo que nos causa estranheza. O que pareciam ser citações fidedignas de documentos, em ocasiões não infrequentes, são distorções dos originais; seus raciocínios se debilitam consideravelmente ao nos depararmos com a sutileza com que usa diversas falácias ; o que parecia ser uma conclusão irrefutável, ao tratar-se de verificá-las nos documentos citados, mostrou-se insustentável, devido ao manejo de documentos. (Taboas, 1993, p. 20)

Taboas diz ter fichado, apenas em “As Forças Físicas da Mente”, de Quevedo, ( 1983b), mais de setenta manipulações de evidências ou erros, subdividindo-os em contradições, omissões, distorções, erros e dogmatismo. Afirma que a “Parapsicologia quevediana” está claramente comprometida com a doutrina católica. Por isso, no dizer de Taboas (1993, p. 24), Quevedo pode ser considerado um autor proselitista que deseja impulsionar de maneira desmedida sua ideologia católica , comparado-o a Sir Arthur Conan Doyle, que apresentava comportamento semelhante, porém tendencioso ao Espiritismo. Outros autores também já chamaram a atenção para a postura dogmática de Quevedo, como o antropólogo americano David Hess e o psicólogo mexicano Sérgio Rueda :

“ Oscar Gonzales Quevedo reinterpretou a Parapsicologia dos Estados Unidos e da Europa à luz da doutrina da Igreja Católica... para obstaculizar as bases científicas do Espiritismo, a Umbanda e as religiões afro-brasileiras.” (Hess, 1987b, p. 26).

“... [Quevedo] tem usado a Parapsicologia como uma arma ideológica em uma briga para marcar sua perspectiva conceitual particular... De fato, para atingir suas metas, o Pe. Quevedo tem distorcido a Parapsicologia em seus livros, querendo, a maior parte do tempo, acomodar dogmas católicos à sua conveniência.” (Rueda, 1991, p. 183).

Um flagrante, que não pode deixar de ser citado, é a afirmação de Quevedo sobre a posição contrária de William Roll em relação à realização de pesquisas experimentais, o que não corresponde à prática de pesquisa de Roll. Entre essas e tantas outras situações, pode-se dizer que o controle de Quevedo sobre as informações transmitidas também está presente na sua preocupação em não permitir livre acesso a todos os livros de sua vasta biblioteca, que preserva seções permitidas apenas a certas pessoas.

Quando recebe críticas, Quevedo por vezes as ignora. Ao ser convidado a responder às críticas de Taboas (1993) publicadas na Revista Brasileira de Parapsicologia, Quevedo disse não ter nenhum interesse em fazê-lo, pois, segundo ele, qualquer pessoa inteligente3 veria que aquilo não tinha o menor fundamento.4 Além disso, ele afirma que há quarenta anos mantém as mesmas ideias e não pretende mudá-las.5 [ ( !!! ) ]



Referências numéricas :

1. Iluminismo ou Filosofia das Luzes : As palavras-chave da Filosofia Iluminista, representada por ilustres homens como Voltaire, Hume e Diderot eram : Razão e Ciência, assinalando grande progresso científico e visão lógica e racional do mundo. Sob outro prisma, para o iluminismo, Deus está na Natureza e no homem, que pode descobri-lo através da razão, dispensando a função da Igreja. Talvez Quevedo achasse estratégico desassociar os “indiscutíveis” milagres da sua religião a esse movimento Filosófico.

2. Mas o que será que Quevedo quis dizer com o seu intrigante “aceitável” ???

3. Certamente, Quevedo tem a sua definição particular do que seja inteligência ...

4. Argumentação extremamente típica de quem não tem a mínima condição moral e intelectual de rebater as críticas que lhes são feitas.

5. Uma declaração assim não deixa dúvidas sobre a sua evidente desatualização quanto às novas pesquisas no campo da Parapsicologia, as quais sucederam à engessada e reacionária mente desse reverendo jesuíta.


Obs.: Os destaques acima, sublinhados e negritados, foram feitos por mim.



Referências bibliográficas :

ANDRADE, H.G. (1959) Teoria Corpuscular do Espírito . São Paulo: Edição do Autor.

_____. (1976) Parapsicologia Experimental . São Paulo: Livraria Espírita Boa Nova. (1ª edição: 1967)

_____. (1983) Morte, Renascimento, Evolução: Uma Biologia Transcendental . São Paulo: Pensamento.

_____. (1984) Espírito, Perispírito e Alma: Ensaio sobre o Modelo Organizador Biológico . São Paulo: Pensamento.

_____. (1986) Psi Quântico: Uma Extensão dos Conceitos Quânticos e Atômicos à Ideia do Espírito . São Paulo: Pensamento. CROOKES, W. (1874) Researches on the Phenomena of Spiritualism . London: Burns.

RUSH, J.H. (1987) What is parapsychology? In Edge, H.L., Morris, R.L. Palmer, J. & Rush, J.H. Foundations of Parapsychology . New York: KP, p. 3-8.

FRIDERICHS, E. (1980) Casas Mal-Assombradas: Fenômenos de Telergia . São Paulo: Loyola.

HESS, D. (1987a) Religion, Heterodox Science and Brazilian Culture . In Social Studies of Science. Beverly Hills: SAGE. Vol.17, p. 465 a 477.

IMBASSAHY, C. (1935) O Espiritismo à Luz dos Fatos . Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira.

_____. (1943) A Mediunidade e a Lei . Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira.

_____. (1950) À Margem do Espiritismo . Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira.

_____. (1955) A Evolução, Com uma Resposta Crítica Sobre o Livro “A Reencarnação e Suas Provas”. Curitiba: Federação Espírita do Paraná.

_____. (1961) Sessões, Médiuns e Débeis . Revista Internacional do Espiritismo (Fevereiro-Maio)

_____. (1962a) De Flammarion a Richet . Revista Internacional do Espiritismo (Julho)

_____. (1965) A Farsa Escura da Mente . São Paulo: LAKE.

_____. (1967) Enigmas da Parapsicologia . São Paulo: Calvário.

IMBASSAHY, C. & GRANJA, P. (1950) Fantasmas, Fantasias e Fantoches . São Paulo: Édipo.

MACHADO, F.R. (1996) A causa dos espíritos. Um estudo da utilização da Parapsicologia para a defesa da fé católica e espírita no Brasil. Dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC/SP.

QUEVEDO, O.G. (1973) Ambiente e Influxo da Parapsicologia . Parapsicologia: Revista do Centro Latino Americano de Parapsicologia, 1, pp. 10 a 23.

RUEDA, S.A. (1991) Parapsychology in the Ibero-American World . Journal of Parapsychology, 55, p. 175-207.

TABOAS, A.M. (1993) Uma Revisão Crítica dos Livros do Padre Quevedo . Revista Brasileira de Parapsicologia, 2, p. 20-25.

ZANGARI, W. & MACHADO, F.R. (1995) Brazil: The Adolescent Parapsychology . In N. Zingrone (Ed.) Proceedings of Presented Papers in the 38th Annual PA Convention. Durham, NC: Impresso pela Parapsychological Association, Inc.




Encontro Psi em Recife





Ninguém aqui está afirmando que os pesquisadores acima ( aí incluídos Wellington Zangari e Fátima Regina ) são Espíritas ou simpáticos ao Espiritismo, tanto que o próprio Zangari diz que a Parapsicologia moderna simplesmente não está interessada na ação de supostas entidades espirituais, mas no desenvolvimento da compreensão científica das variáveis que afetam as funções psi ( ESP e PK ). Suas opiniões são simplesmente imparciais, isentas e desprovidas de ideologias religiosas implacáveis e apaixonadas, como a do Padre Quevedo, um parapsicólogo de tendências católicas, o que o qualifica como incompatível com o espírito cientifíco.

Na verdade, o Padre Quevedo deveria ser intitulado como um "Parapsicólogo Católico", pois estranhamente, muitas das suas teorias parapsicológicas coincindem com os Dogmas da sua Igreja.

Isto que assinalamos também tem sido notado por outros autores. Por exemplo, Hess (1987) indicou recentemente que " Oscar Gonzalez Quevedo reinterpretou a Parapsicologia dos Estados Unidos e da Europa à luz da doutrina da Igreja Católica ... para obstaculizar as bases científicas do Espiritismo." (!!!)

Além disso, Rueda (1991) em um artigo recente no Journal of Parapsychology, faz o importante assinalamento : " Quevedo tem usado a Parapsicologia como uma arma ideológica em uma briga para marcar sua perspectiva conceitual particular... De fato, para atingir suas metas, o Pe. Quevedo tem distorcido a Parapsicologia em seus livros, querendo, a maior parte do tempo, acomodar dogmas católicos à sua conveniência ". (p.183)


Obs.: Os destaques em negrito, nas mensagens do Parapsicólogo Wellington Zangari e dos outros Escritores, foram feitos por mim.





INSTITUTOS E CENTROS DE PARAPSICOLOGIA ESTRANGEIROS RECONHECIDOS MUNDIALMENTE.

A Parapsicologia foi reconhecida oficialmente como ciência autônoma no Congresso Internacional de Parapsicologia, organizado pela Foundation International of Parapsichology pela Universidade de Utrecht, Holanda. Nessa mesma data e Universidade, surge a primeira Cátedra de Parapsicologia, regida pelo Dr. W. H. C. Tenhaeff. Posteriormente, multiplicaram-se em várias Universidades e Países as disciplinas de Parapsicologia.

Hoje, nos países da ex-cortina de ferro, a Parapsicologia é considerada ciência oficial com aspectos profissionais práticos.

A Parapsicologia foi considerada como Ciência nos Estados Unidos, em dezembro de 1969, quando a P.A - Parapsychological Association passou a figurar como membro da AAAS - American Association for the Advancement of Science, o que equivale ao seu reconhecimento e introdução nos domínios da ciência oficial. A P.A, ao contrário do que muitos pensam no Brasil, permanece como membro da AAAS até hoje. Este é, de fato, um importante reconhecimento da Parapsicologia pela classe científica.

Douglas Dean, um ex-presidente da PA havia empreendido cuidadosos esforços para melhorar as estratégias retóricas dos membros da PA antes das audiências de aceitação pela AAAS. Dean tratou de apresentar a proposta da PA de forma aceitável do ponto de vista científico.

"O Comitê do Conselho considerou o trabalho da PA por um longo período. O comitê chegou à conclusão de que esta é uma associação que está investigando fenômenos controvertidos ou inexistentes; entretanto, está aberta à afiliação de críticos e agnósticos; e eles ficaram satisfeitos porque ela usa métodos científicos de pesquisa; assim, essa investigação pode ser vista como científica. Além disso, informações chegaram até nós dando conta de que o número de Membros da AAAS que são também membros da PA não é de quatro como se encontra na agenda, mas nove". (McClenon, 1986, 128)

Segundo McClenon, "Glass apresentou exemplos das mais importantes estratégias retóricas dos parapsicólogos (o uso da metodologia científica, metamorfose)." Após a fala de Glass, ele perguntou se mais alguém gostaria de se pronunciar. A conhecida e respeitada antropóloga Margareth Mead tomou, então, a palavra:

"Nos últimos dez anos nós temos estado debatendo o que constitui a ciência e o método científico e o que as sociedades usam disso. Nós até mesmo mudamos nossos estatutos a respeito disso. A PA usa estatística e julgamento cego, placebos, julgamento de duplo-cego e outros expedientes científicos padrão. A ampla história do desenvolvimento científico está repleta de cientistas investigando fenômenos que o ‘establishment’ não acreditava que existissem. Eu proponho para análise que nós votemos em favor do trabalho da associação". (McClenon, 1984, p. 182).



1) S.P.R - Society for Psichical Research : Campos de estudos relacionados a estados próximos da morte, experiências fora do corpo, aparições, regressão hipnótica, curas paranormais.
49, Marloes Road
Kensington - W8 6LA
Londres - UK

2) I.T.P - Institute of Transpersonal Psychology : Integração experimental de trabalhos com ênfase no corpo, mente e conexão com espíritos. Descrições a respeito da Psicologia Transpessoal.
744 San Antonio Road
Palo Alto CA 94303
San Francisco California - USA

3) R.R.C - Rhine Research Center : Ministra cursos de Parapsicologia e estudos científicos de física. Pesquisas experimentais, investigações no campo das experiências fora do corpo, aparições e outros fenômenos espontâneos. Este Centro é sucessor do Duke University Parapsychology Laboratory.
402 N.Buchanan Blvd.
Durham Carolina do Norte - USA

4) S.E.I.P - Sociedad Española de Investigaciones Parapsicológicas : Associação de parapsicólogos que atuam em diversos países do mundo. Estudo das transcomunicações através da psicofonia, psicoimagem e grafocomunicação.
C/ Avellano, 6 Urb. Girasoles.
03690 - San Vicente (Alicante) - Spain




As mais tradicionais e reconhecidas Entidades de Parapsicologia do mundo - Societies for Psychical Research Britânica e Americana.


A título de informação, em 1882 foi fundada a tradicional S.P.R. - Society for Psychical Research, em Londres. Logo depois, em 1885, fundou-se a A.S.P.R. - American Society For Psychical Research, os mais importantes e tradicionais Institutos de Parapsicologia do mundo.

Para aqueles que quiserem mais informações sobre essas famosas e centenárias Instituições Parapsicológicas, as quais já possuem farto material sobre aparições e alguns relatos sobre reencarnação, poderão visitar os Sites a seguir. Em alguns casos é necessário tornar-se membro para ter acesso aos "Journals e Proceedings :


Society for Psychical Research - Britânica

    S.P.R. INGLESA : http://www.spr.ac.uk





American Society for Psychical Research

    S.P.R. AMERICANA : http://www.aspr.com





E vejam um dos campos de estudo da S.P.R Activities, o qual relata as análises da comunicação com Espíritos e a Reencarnação :

http://www.spr.ac.uk/expcms/index.php?section=50


Original da Página : "The principal areas of study of psychical research concern exchanges between minds, or between minds and the environment, which are not dealt with by current, orthodox science. This is a large area, incorporating such topics as extrasensory perception (telepathy, clairvoyance, precognition and retrocognition), psychokinesis (paranormal effects on physical objects, including poltergeist phenomena), near-death and out-of-the-body experiences, apparitions, hauntings, hypnotic regression and paranormal healing. One of the Society's aims has been to examine the question of whether we survive bodily death, by evaluating the evidence provided by Mediumship, apparitions of the dead and Reincarnation studies."

Tradução : "As principais áreas de Estudo das Pesquisas Psíquicas têm interesse no intercâmbio entre as mentes, ou entre mentes e o meio ambiente, as quais não são tratadas, atualmente, pela Ciência ortodoxa. Esta é uma grande área, incorporando tais tópicos como a percepção extrasensorial ( Telepatia ; Clarividência - visão sem ser pelos órgãos visuais ; Precognição - Premonição ou conhecimento de algo antes de ter acontecido ; Retrocognição - Percepção de acontecimentos passados ), Psicocinese ( Efeitos paranormais em objetos físicos, incluindo o fenômeno de Poltergeist – Espírito perturbador ), experiências próximas da morte ou fora do corpo, aparições, obsessões, regressão hipnótica e curas paranormais. Um dos objetivos da Sociedade tem sido examinar a questão se nós sobrevivemos à morte corpórea, avaliando a evidência fornecida pelos Médiuns, aparições de (pessoas) mortas e o estudo da Reencarnação." ( Destaques nossos ).


Existem casos que relatam experiências notáveis de comunicação dos Espíritos. O teor de um dos Periódicos que publicam regularmente o Relatório das atividades da SPR - Society for Psychical Research, ou seja, os “Proceedings” (*). Além dos “Proceedings”, são também editados o “Journal of the SPR”, o qual é distribuído a cada três meses, aos sócios dessa respeitável Instituição, bem como Livros e Panfletos.

Os próprios Pesquisadores e Fundadores da SPR fazem parte desse evento. Logo após o desencarne dos três importantes vultos da Society for Psychical Research, em Londres, Edmund Gurney, Henry Sidgwick e Frederick William Henry Myers, começaram a surgir, em lugares diferentes e através de diversas médiuns psicógrafas e que registraram mensagens enviadas do além por aqueles falecidos membros da SPR. Quem iniciou este tipo de correspondência foi Myers, cuja cultura clássica era reconhecidamente do maior nível e sem o menor vestígio de contradição ou incoerência, portanto muito superior a das Médiuns.

As mensagens isoladas, captadas ora por uma das psicógrafas, ora por outra, situadas entre si a grandes distâncias, até mesmo em Países diferentes, estranhamente não faziam sentido. Porém, quando juntadas, formavam uma peça única com significado perfeito e de elevada erudição, cujo estilo era o do autor signatário (nesse caso, o Myers). Posteriormente, surgiram mensagens de Gurney, Sidwick e outros membros falecidos, todas elas contendo características do estilo e cultura dos comunicadores. Era uma tentativa dos Espíritos em demonstrar aos companheiros ainda vivos a sua sobrevivência após a morte e a possibilidade de comunicação entre o mundo material e o mundo dos Espíritos !!!

O esforço por parte daqueles Espíritos durou perto de 31 anos, sem nenhuma incoerência ou contradição por parte de quem se comunicava, produzindo enorme volume de material mediúnico, catalogado na SPR e divulgado através dos citados “Proceedings”. Vários Investigadores dedicaram-se ao estudo rigoroso desse precioso acervo de informações. Muitos deles concluíram pela realidade da sobrevivência dos signatários das mensagens (!!!).

DENTRE OUTROS CASOS, FORAM DIVULGADOS ALGUNS RELATOS COM A CAPTAÇÃO DAS VOZES DOS ESPÍRITOS EM INSTRUMENTOS ELETRÔNICOS PELO PESQUISADOR FRIEDRICH JUERGENSON (1903-1987).

(*) Proceedings of the Americam Society for Psychical Research, Stevenson’s Book, Vol. XXVI, September 1966. Charlottesville University. Press of Virginia.




Em termos de Parapsicologia, não poderíamos deixar de citar o fundador da Parapsicologia Moderna, Joseph Banks Rhine ( O qual foi homenageado com a fundação de uma das mais prestigiadas Instituições Parapsicológicas do mundo, acima citada ) no Volume “New Frontiers of the Mind” , Pág. 176, Edição de 1965 :

“ O que, até então, descobrimos nas pesquisas atinentes à percepção exta-sensória séria, pelos menos, favorável à possibilidade da sobrevivência do indivíduo depois da morte, isto é, tal sobrevivência importaria, naturalmente, numa existência sem os órgãos dos sentidos, sem sistema nervoso e sem cérebro.”

Ora, Rhine alude a “existências sem órgãos, sistema nervoso e cérebro”, ( Ele estava se referindo à matéria que constitui os corpos humanos ) ou seja, ESPÍRITOS que estavam sendo percebidos pela abrangência de seu Campo de Estudos e da sua Equipe ( !!!!!!!! )


São também de Banks Rhine as declarações :

“O caso que mais prende atenção é aquele em que o propósito manifesto por trás do efeito produzido é tão especialmente o de personalidade falecida, que não é razoável atribuí-lo à atuação de qualquer outra fonte”. ( J.B. Rhine. "O novo mundo do Espírito”, Ed. Age - São Paulo, Página 270 ).

“No curso de 75 anos de tais estudos de mediunidade alguns dos sábios mais eruditos do mundo, bem como inúmeros outros de menor reputação, convenceram-se de constituírem-se essas mensagens – pelo menos em parte – prova aceitável da existência continuada de personalidades incorpóreas, de almas sem corpo.” ( J.B. Rhine. "O Alcance do Espírito", Besteseller Import. de Livros S.A. - São Paulo, Pg. 206 ).


A clareza desses pronunciamentos acima dispensa qualquer comentário.





DIFERENÇAS ENTRE MANIFESTAÇÃO ESPIRITUAL E A HIPÓTESE PSI


A Percepção Extra-Sensorial ou simplesmente P.E.S ( ou E.S.P em inglês ) se refere a uma suposta capacidade humana ligada à aquisição de conhecimento sem o uso dos sentidos comuns. Já a Psicocinésia ( P.K, do inglês, Psychokinesis ) seria uma forma de ação humana sobre o meio físico em que não seriam utilizados quaisquer mediadores ou agentes (músculos ou forças físicas) conhecidos.

O conjunto "PES + PK" seria a Hipótese Psi, e pode ser definida como uma hipótese de interação entre o ser humano e o meio sem o uso dos sentidos, dos músculos ou de qualquer força/agente físico conhecido. A Hipótese Psi, portanto, postula a existência de uma característica sensorial/motora baseada no cérebro ( ou seja, trata-se de uma hipótese não-sobrevivencista ou contrária a existência de Espíritos ), e segundo tal hipótese, psi apresentaria quatro características principais :

1- É orientado para um objetivo (goal oriented).

2- É influenciado pelo ambiente psico-social.

3- É comandado pelo inconsciente.

4- Tem seus limites muito mal conhecidos.


A Hipótese Espíritos ( ou da sobrevivência ) postula a existência de um Agente ( organismo dotado de capacidade de processamento de informações, e dotado de volição, ou arbítrio ) relativamente independente do cérebro e talvez capaz de sobreviver à morte deste último, e talvez também capaz de reencarnar em outros corpos físicos humanos. Segundo tal hipótese, os espíritos teriam quatro características principais :

1- São orientados para um objetivo (goal oriented).

2- São influenciados pelo ambiente psico-social.

3- São possivelmente comandados pelo inconsciente ( ou comandantes deste ), pelo menos parcialmente.

4- Têm seus limites muito mal conhecidos.


A semelhança e a sobreposição das hipóteses é marcante ! A principal, talvez única, diferença está no fato de que a hipótese espírita é uma hipótese “agencialista”, ou seja, haveria um agente com uma agenda ( conjunto de objetivos ) própria, e suficientemente diferente dos demais agentes (ou seja, das demais pessoas envolvidas na trama) para ser identificado e caracterizado como tal.


Dentre as faculdades que fariam parte do conjunto conhecido como PES, estariam :

a) Precognição – conhecimento do futuro não explicável pela ciência atual.

b) Telepatia – transferência do próprio pensamento para outra pessoa.

c) Retrocognição – conhecimento do passado não explicável pela ciência atual.

d) Clarividência ou Visão Remota – a capacidade de ver coisas além do alcance da visão.

e) Clariaudição – a capacidade de ouvir coisas além do alcance da audição.


Super Psi seria o uso dessas faculdades a um nível tal que não importaria a dificuldade da tarefa, e qualquer tipo de informação teoricamente poderia ser acessada por essa hipótese. Isso não quer dizer que a Hipótese Psi não tenha limites, apenas significa que, como não conhecemos seus limites, não podemos delimitá-los a priori. Conseqüentemente, não poderíamos partir para a hipótese de Sobrevivência enquanto não descobríssemos esses limites. Para facilitar o entendimento disto, usemos de um exemplo : Conhecemos os limites da audição humana.

Se um indivíduo está numa sala à prova de som, e em outra sala alguém liga um liquidificador, e este indivíduo declara ‘estou ouvindo um liquidificador’, sabemos que esta informação não chegou por vias sonoras, e podemos partir para outras explicações. Como não conhecemos os limites de psi, ao menos no momento, não poderíamos usar a hipótese de Sobrevivência como hipótese científica legítima, pois não é possível afirmar que determinado efeito excede as capacidades psi!

Esse problema já havia sido observado no Brasil pelo engenheiro e parapsicólogo Hernani Guimarães Andrade, que no livro Renasceu por Amor, reporta-se a ele do seguinte modo (pág. 237) :

“Para os casos que aparentam reencarnação [...], a hipótese da ESP [...] tem sido freqüentemente evocada. Os adeptos dessa modalidade de explicação reducionista acham dispensável a tese da reencarnação. Eles consideram que essa hipótese exige um princípio que postula a sobrevivência após a morte, bem como a exigência do Espírito. Segundo os reducionistas, nenhum desses postulados foi cientificamente demonstrado. Portanto, tais premissas complicam a solução proposta, uma vez que o método científico pede que se adotem as prescrições de William de Ockham (1300-1349). Entre outras coisas, Ockham recomenda que as hipóteses mais aceitáveis sejam aquelas que exigem o menor número de postulados, ou suposições, a priori (Navalha de Ockham): Entia non sunt multilicanda praeter necessitatem. Isso significa: “Os princípios não devem ser multiplicados além da necessidade”.

“Ora, a ESP já foi demonstrada, experimentalmente, em laboratório. Portanto, ela representa um fato científico e não uma suposição. A existência do Espírito e a sobrevivência, segundo os próprios parapsicólogos ortodoxos, ainda não foram demonstradas cientificamente. Por isso, eles consideram como explicação mais simples, para os casos de manifestações mediúnicas e igualmente para as “supostas recordações reencarnatórias”, [...] a ESP”.


É discutível se a ESP já foi demonstrada em laboratório. Alguns parapsicólogos, na verdade, são mais cuidadosos. O que afirmam é que a Parapsicologia tem condições de reproduzir alguns fenômenos de forma experimental, obtendo resultados impossíveis de serem explicados pelas teorias da ciência, como os testes Ganzfeld, por exemplo ( transmissão de pensamento ). Isso não seria necessariamente uma demonstração da existência de psi, e sim apenas de uma anomalia, que pode ser resultado de psi, mas necessitando de mais pesquisas para sanar a dúvida.

Hernani prossegue dizendo que os resultados obtidos em laboratório são muito mais modestos do que os se observam nos estudos de caso, em ambiente natural. Para o parapsicólogo Stephen Braude, no entanto, essa é uma posição ingênua :

“Parapsicólogos e outros tendem a abordar o estudo de psi com o conjunto padrão de suposições tácitas indefensáveis. Primeiro, eles freqüentemente assumem que se psi ocorre, ocorre unicamente em um grau bastante modesto. Segundo, eles usualmente assumem que, quando os efeitos de “psi observáveis” (e não meramente demonstráveis estatisticamente) ocorrem, estes efeitos serão suficientemente evidentes ou incomuns para serem identificados como eventos psi.”

Ambas as suposições, contudo, são intoleravelmente ingênuas. Na verdade, a primeira é metodologicamente notória. Dado o nosso presente grau de ignorância no que concerne o funcionamento psíquico, nós simplesmente não temos bases para colocar antecedentes de limites de qualquer tipo em sua extensão ou refinamento. Para aceitar este ponto, não importa se nós acreditamos que o funcionamento psíquico ocorre ou se nós somos simplesmente céticos de mente aberta considerando a mera hipótese de que psi ocorra. Se psi pode ocorrer em qualquer extensão, então até que tenhamos evidência do contrário, nós devemos assumir que psi pode ocorrer em qualquer nível de magnitude ou sofisticação. De fato nós, não somente, não possuímos evidência contra a possibilidade de psi ilimitado como, na verdade, certos corpos de dados dão suporte a isso.

A segunda suposição não comprovada usualmente aparece em tentativas de argumentar que simplesmente não há evidência para super-psi. Muitos protestam que se super-psi ocorreu, este se faria conhecido para nós; mas (eles argumentariam), nós não temos evidência de que pessoas podem fazer coisas como afetar psicocineticamente o tempo ou fazer aviões caírem, ou levar a cabo espionagens psíquicas sofisticadas e detalhadas. A suposição que espreita embaixo deste argumento é que ocorrências de super-psi na vida cotidiana serão geralmente conspícuas ou facilmente identificáveis como tais, e que elas não serão simplesmente misturadas ou mascaradas pela extensa rede de eventos normais circunvizinhos.

Mas essa suposição é claramente deficiente (para uma discussão detalhada do assunto, veja Braude, 1989). No que diz respeito aos fenômenos físicos, não há necessidade de haver diferença observável entre (digamos) um ataque cardíaco ou uma batida de carro normal e outra causada por PK. A única diferença pode estar nas suas inobserváveis histórias causais. Semelhantemente, não há razão para supor que informação colhida por ESP tenha que nos atingir a cabeça com sua obviedade. Ela não precisa carregar algum marcador – um análogo fenomenológico para um adorno de trompetes – que a identifique como paranormalmente derivada ao invés de fortuita ou internamente gerada de modo normal.

O que poderia, portanto, fazer a balança “pender” para a hipótese de sobrevivência ? Alan Gauld em seu livro Mediunidade e Sobrevivência, levando em conta tanto a evidência oferecida dos casos mediúnicos quanto dos casos de memórias de vidas passadas, considera que características de personalidade mais positivas poderiam ser o marco divisor entre as duas hipóteses, a saber :

a) propósitos distintos

b) habilidades, capacidades

c) hábitos

d) modo de falar

e) esforços para se comunicar

f) anseios

g) pontos de vista.


As letras “a” e “e” são basicamente referentes a comunicações mediúnicas, e em especial a casos de comunicadores “esporádicos”, que seriam os comunicadores que chegam sem ser convidados, e são manifestamente desconhecidos do médium e assistentes. Para estes casos, Gauld imagina ter encontrado dois graves empecilhos para a hipótese de PES ou Super-Psi :

“O primeiro destes problemas evidencia-se se perguntarmos por que, em qualquer caso de “esporádico”, a suposta PES do médium teria se focalizado sobre fatos daquele morto em particular. [...] vemo-nos compelidos, sob a hipótese da super-PES, a supor que a seleção do comunicador só depende da operação aleatória de fatores totalmente desconhecidos.

O segundo conjunto de dificuldades que os casos “esporádicos” podem originar para a hipótese da super-PES é a localização da informação, muito mais complexa e difícil. Na maioria destes casos, sem dúvida, deve haver uma fonte única, assim como algum escrito, ou a memória de alguma pessoa viva, de onde o médium. Através de sua suposta percepção extra-sensorial, obtém toda sua informação.

Mas, e se (e alguns casos podem se aproximar deste tipo) a informação só pudesse ser coletada de várias fontes distintas, como as memórias de várias pessoas vivas, ou vários registros escritos? Como o médium, tendo selecionado o morto que vai apresentar a seus assistentes, vai selecionar, dentre todas as informações que lhe são disponíveis telepática e clarividentemente, só a que for importante para aquela pessoa? Não creio que seja possível dar importância a esse tema que, na verdade, é remotamente plausível.”


Braude refuta tais características como indicativas de sobrevivência do seguinte modo :

“Ambos os alegados problemas me parecem superestimados. De fato, o segundo pode ser dispensado bastante rapidamente. Já que atualmente nós não temos bases para impor quaisquer antecedentes de limites à extensão ou refinamento do funcionamento psíquico, nós simplesmente não estamos em posição de colocar que o acesso a múltiplas fontes de informação obscura é algo mais imponente do que o acesso a uma única fonte. Ao avaliarmos a hipótese super-psi, nós devemos tomar cuidado para não tratar os processos envolvidos como se eles fossem simplesmente uma coleção de psi realmente bom, do tipo que aparentemente vemos em formas limitadas em alguns experimentos de laboratório.

Quando nós fazemos isso, é fácil pensar que o funcionamento de psi envolve um esforço de algum tipo, e que se uma performance psi é difícil, muitas outras deveriam estar fora de questão. Mas na realidade, em toda a sua riqueza intimidante, a hipótese super-psi deveria, talvez, ser chamada de hipótese varinha mágica. Isso coloca que (tanto quanto sabemos) qualquer coisa pode acontecer, dada a necessidade relevante para isso ocorrer. Por exemplo, nós não precisamos supor que PK refinado deva ser acompanhado por constante vigilância ESP dos resultados das atividades de alguém, do modo como dirigir um carro requer avaliação sensória. Pode ser suficiente simplesmente desejar que alguma coisa ocorra, e então tal coisa ocorra.”


O primeiro problema em explicar a identidade do comunicador ergue um conjunto de questões bastante diferentes. Gauld nota corretamente que a hipótese de sobrevivência possui vantagens óbvias quando ela vem para explicar porque o médium seleciona uma pessoa falecida desconhecida ao invés de outra pessoa desconhecida como o sujeito para suas pesquisas extra-sensoriais. A própria pessoa morta se seleciona (1982, pg. 61).

Por fim, um último fator a ser levado em consideração é o fato das memórias demonstradas pelas crianças dizerem respeito aos últimos anos de vida da pessoa prévia. Pela hipótese psi seriam esperadas informações mais distribuídas em todas as fases da vida prévia, não somente dos últimos anos. Tal característica parece corresponder mais a uma mente sobrevivente, com todos os seus problemas de memória. Fora isso, existem poucos casos de memórias entre as vidas, relatando um mundo espiritual. Dado que a crença em um mundo espiritual é bastante conhecida, tal fato também vai contra o esperado pela hipótese psi.

Após ter visto e analisado os argumentos pró e contra cada hipótese ( Psi e Espíritos ) deixamos a critério do leitor decidir qual a que melhor interpreta os dados das pesquisas. Esperamos, no entanto, ter ao menos demonstrado que a hipótese de reencarnação é muito bem embasada pelas pesquisas.



Obs.: Texto montado por Vitor Moura, com base nas discussões entre ele, Wellington Zangari e Julio Siqueira.

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