Resposta de Anderson Luiz da Silva ( Espírita ) enviada a Cícero ( Protestante ) sobre a Existência de Adão e Eva.

Querido amigo Cícero,


Gostaria, neste momento, de comentar uma interessante comparação que o Sr. faz entre a Bíblia e o Livro dos Espíritos, no tocante ao aparecimento do homem sobre a face da Terra. Sei que o Sr. defende o Criacionismo ao pé da letra e acredita que Adão tenha sido o primeiro homem a surgir sobre a Terra, sendo criado do barro, conforme exatamente encontramos no Livro de Gêneses escrito a milhares de anos por Moisés. Não é mesmo? Erro histórico e científico, Sr. Cícero ! Nem o Vaticano, nem os Teólogos Protestantes mais modernos aceitam o fato tal como está escrito. Vejamos o que o Sr. fala no site de sua autoria:


Abre Aspas :

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente. Gênesis 2:7. Cainã de Enos, Enos de Sete, Sete de Adão, e Adão de Deus. Lucas 3:38

Fecha Aspas.


Vejamos agora o que os Espíritos Superiores falam a Kardec em relação a Adão, registrado no Livro dos Espíritos, conforme o Sr. mesmo colocou em seu site ( www.cicero.com.br ) .

Obs. : Alertamos aos Leitores que façam uma confrontação desse Site, pertencente ao Sr. Cícero, com outro Site, cuja autoria é de Paulo Silva Neto Sobrinho, da RedeVisão : Cristianismo x Espiritismo o qual rebate categoricamente todos os argumentos arquitetados ardilosamente pelo Sr. Cícero, detrator do Espiritismo :


Abre Aspas :

Pergunta nº 50 de Kardec aos Espíritos : A espécie humana começou por um único homem ?

Resposta : Não, aquele a quem chamais de Adão não foi o primeiro a povoar a Terra.

Pergunta nº 53 de Kardec aos Espíritos : O homem surgiu em muitos pontos do globo ?

Reposta : Sim e em épocas várias, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças. Depois dispersando-se por climas diversos e aliando-se os de uma aos de outras raças, novos tipos se formaram.


Fecha Aspas.


Prezado amigo, eu irei ainda mais longe e citarei algumas passagens do Livro " A gênese de Allan Kardec ".

Cap XI, ítem 41 :


Abre Aspas :

Independentemente dos fatos geológicos, a prova da existência do homem sobre a Terra antes da época fixada pela Gênese é tirada da população do globo. Sem falar da cronologia chinesa, que remonta, diz-se, a trinta mil anos, documentos mais autênticos atestam que o Egito, a Índia e outros países, estavam povoados e florescentes pelo menos três mil anos antes da era cristã, mil anos, consequentemente, depois da criação do primeiro homem, segundo a cronologia bíblica. Documentos e observações recentes não deixam nenhuma dúvida, hoje, sobre as relações que existiram entre a América e os antigos Egípcios; de onde é necessário concluir que esse continente já era povoado nessa época. Seria, pois, preciso admitir que, em mil anos, a posteridade de um único homem pôde cobrir a maior parte da Terra; ora, uma tal fecundidade seria contrária a todas as leis antropológicas.

Fecha Aspas.


Cap XII, último parágrafo do ítem 12 :


Abre Aspas :

Não rejeitemos, pois, a Gênese bíblica; estudemo-la, ao contrário, como se estuda a história da infância dos povos. É uma epopéia rica de alegorias, das quais é preciso procurar o sentido oculto; que é necessário comentar e explicar com as luzes da razão e da ciência. Fazendo em tudo ressaltar as belezas poéticas, e as instruções veladas sob a forma figurada, é preciso demonstrar-lhe com firmeza os erros, no interesse mesmo da religião. Respeitar-se-á melhor esta quando seus erros não forem impostos à fé como verdades, e Deus com isso não parecerá senão maior e mais poderoso, quando seu nome não estiver misturado com fatos controversos.

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Meu amigo, vejamos então, a opinião de ilustres Teólogos e Escritores Protestantes sobre a Gênese Mosaica :

Entrevista concedida à Revista Protestante Ultimato pelo Biblista Willian Lacy Lane, brasileiro descendente de missionários americanos, 36 anos, mestre em teologia pelo Calvin Theological Seminary ( especialização em Antigo Testamento ), é professor de hebraico e diretor do Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas.


Abre Aspas :

Adão foi o primeiro ser humano ?

Willian Lane - A Bíblia o diz que sim. Mas como Adão ( palavra adam ) significa " homem, ser humano " e, como tal, ocorre em Gênesis 1.26-27 e em outros versículos do capítulo 2, há quem diga que esse adam é nome simbólico para a humanidade. De fato, em Gn 1.27 inclui tanto o homem como a mulher: " À imagem de Deus o criou ; macho e fêmea os criou ". Em alguns casos, inclusive, as versões bíblicas parecem não concordar quando se deve traduzir Adão e quando se deve traduzir homem para o termo adam. Uma comparação entre as versões Corrigida e Atualizada em Gênesis 2.19-23 mostra esta dificuldade. A Corrigida optou por traduzir adam, na maioria dos casos, Adão, enquanto que a Atualizada optou por homem. O versículo 21 na Corrigida, por exemplo, ficou: " Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão ". Na Atualizada ficou: " Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem ". Esta diferença se dá pelo fato de não haver letras maiúsculas no hebraico para distinguir uma forma da outra.

Fecha Aspas.


Sr. Cícero, para ilustrar ainda mais, gostaria de repassá-lo uma matéria interessantíssima publicada na Revista Protestante Eclésia de maio de 2001 sob o título " Osso do barulho ". A referida matéria encontra-se na página 30. Ei-la :


Abre Aspas :

Osso do Barulho

Descoberta de fóssil no Quênia reacende discussão sobre as origens do homem.

Desde que o naturalista Charles Darwin formulou suas teorias acerca da evolução das espécies, no século 19, aqueles que creem no relato bíblico da criação – segundo o qual a vida na Terra originou-se pela vontade divina – não tiveram mais sossego. De lá para cá, cada vez que um fóssil é descoberto, lançam-se novas dúvidas sobre o conteúdo dos primeiros capítulos do livro do Gênesis, que contam como Deus criou o universo e tudo que há nele. A bola da vez é um fóssil encontrado no Quênia, na África, a que se atribui a idade de 3,5 milhões de anos. Trata-se do crânio de uma criatura que, segundo a revista científica Nature, pode ser o vestígio do mais antigo hominídeo conhecido. Até agora, a mais remota espécie relacionada ao gênero humano era o Australopithecus afarensis, que teria habitado o continente africano há cerca de 3 milhões de anos. A partir dele, acreditam as principais correntes de antropologia, teriam evoluídos diversas espécies, até chegar ao Homo sapiens, o homem atual.

O que vem causando sensação é que a nova descoberta, batizada de Kenyanthropus platyops, seria de uma outra linhagem de ancestrais humanos que teria vivido em época e região diferentes do Australophitecus. Além disso, o crânio mostra que o rosto da criatura era bem achatado, mais compatível com o do homem atual. " A face deste hominídeo representa algo bem mais diverso do que pensávamos ", diz a pesquisadora Louise Leakey, do museu nacional do Quênia.

Elo perdido - Já vai longe o tempo em que acreditava-se que o homem veio do macaco. Aliás, o próprio Darwin jamais disse isso – apenas sugeriu que o homem e os primatas superiores, como o chimpanzé, evoluíram de um ancestral comum. Estima-se que este elo perdido tenha existido a mais de 5 milhões de anos, sempre na África. A insistência da comunidade científica em identificar o continente Africano como o berço da humanidade contraria a tese de que o homem surgiu no Oriente Médio, conforme sugere estudos teológicos baseados no relato da Bíblia.

Segundo a palavra de Deus, o Jardim do Éden, onde viveram os primeiros humanos, ficava junto aos rios Tigre e Eufrates, que banha a região. Além da controvérsia fundamental entre o criacionismo e o evolucionismo sobre a origem do homem, outro enigma que chama a atenção é a idade da Terra. A hipótese mais aceita é de que o planeta tenha cerca de 5 bilhões de anos. Mas segundo o pesquisador americano Duane Gish, Phd em bioquímica, membro da Igreja Batista e vice-presidente do Instituto de Pesquisa da Criação, em San Diego, na Califórnia, grande parte dos criacionista acredita que o planeta seja bem mais jovem, pelo encadeamento dos fatos narrados na Bíblia. Há quem defenda a idade de 10 mil anos, o que parece muito pouco provável – a menos para quem crê, como dizem as escrituras, que para Deus MIL ANOS É COMO UM DIA E UM DIA É COMO MIL ANOS. ( Perdoe-me! Mas o destaque é meu. )

Carlos Fernandes Editor/Redator/Jornalista Responsável pela Revista Eclésia

Fecha Aspas :


Outra entrevista promovida pela Revista Ultimato tem como protagonista o Sr. Ross Douglas, canadense naturalizado brasileiro, 66 anos, PhD em física pela Universidade de Winsconsin, é professor aposentado da UNICAMP e vice-presidente da Aliança Bíblia Universitária (ABU).


Abre Aspas :

Existe conflito entre ciência e religião ?

Douglas - Acreditamos que existe uma verdade objetiva que pode ser conhecida em parte por meio do Cristianismo, mas também da ciência. Toda verdade é a verdade de Deus, quer venha do estudo da natureza, quer venha da revelação de Deus. A história revela muitos conflitos, de maneira que a situação tem sido como uma guerra. Entretanto, um exame mais aprofundado mostra que muitas dessas diferenças são apenas aparentes, sendo o resultado de extrapolações injustificadas e interpretações inadequadas. Sinto que, ao invés de guerra, a complementação mútua seria uma melhor maneira de ilustrar esta relação.

Fecha Aspas :


Para finalizar, avaliaremos a posição de um verdadeiro " descendente " de Moisés, o Rabino Henry Sobel, Presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista, em entrevista concedida ao Jornal " O Globo " de 18/02/01, onde observamos na página 42 uma matéria sob o título " Pesquisa de DNA aproxima religião da ciência ". No quarto parágrafo da referida matéria encontramos o seguinte:


Abre Aspas :

Já o Rabino Henry Sobel, Presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista, acha que as descobertas sobre o genoma humano fortalecem a crença do Judaísmo na existência de um Deus único, responsável pela criação do homem. Segundo ele, os avanços científicos vêm ao encontro da Bíblia.

Para o Judaísmo, faz parte da criação uma evolução gradativa dos seres vivos, sendo o ser humano a coroação. A Bíblia reconhece a proximidade das espécies e o ser humano como o avanço no plano de criação. Então não é surpresa para nós. É uma questão de INTERPRETAR a Bíblia para comprovar a compatibilidade entre religião e ciência. ( Perdoe-me! mas novamente o destaque é meu.)

Fecha Aspas :


Ora, ora, ora, Sr. Cícero ! Parece-me que não é só o Espiritismo que leva em conta o contexto histórico-cultural dos textos bíblicos. Eminentes Teólogos, Escritores Protestantes e o Judaísmo também o levam, e nem por isso, a Bíblia deixa de ter seu valor como livro sagrado; muito pelo contrário, dá-nos a certeza de que Deus é Deus, não precisando derrogar as leis naturais para parecer-se grande. As descobertas científicas também vêm de Deus. Colocá-las à margem de nossas vidas é desprezar a maior dádiva do Pai para com a humanidade : o raciocínio e o livre-arbítrio.

Não creio que um Deus que me dotou de razão e inteligência, vá me privar de usá-las no que diz respeito a compreensão de Suas Leis. Assim sendo, volto a afirmar que o Espiritismo tem, para mim, a melhor explicação para as observações efetuadas que são capazes de explicar como o mundo se comporta. Quero deixar bem claro que respeito muito a opinião de outras correntes de pensamento; porém, não aceito qualquer acusação ou comparação maliciosa que venha denegrir a imagem do Espiritismo, este que nunca desferiu um só ataque, pois compreende que as religiões sérias são necessárias para abarcar os diversos graus de entendimento humano.

Portanto, Sr. Cícero, tentar entrincheirar-se por passagens bíblicas levadas ao pé da letra ou convenientemente interpretadas NÃO prova nada. Só os incautos ou os de horizontes estreitados para aceitarem cegamente tudo que lhe são empurrados pela garganta, varrendo cinicamente para debaixo do tapete tudo aquilo que a ciência já descobriu. O Apóstolo Paulo nos ensina que devemos pôr tudo à prova e retermos o que for bom. Tudo que me é apresentado, Sr. Cícero, eu passo pelo crivo da razão. Se isto for lógico, eu abraço; se não for, eu desprezo.

Quando, em seu site, o Sr. coloca em letras garrafais e coloridas que o Espiritismo e o Cristianismo não ensinam a mesma coisa, resta-me perguntar-lhe: De que Cristianismo o Sr está falando ? Está falando do Cristianismo dos homens ou está falando do Cristianismo do Cristo? Sim, pois, quem detém o monopólio da representação do Cristo na Terra ? Eu respondo, Sr Cícero, ninguém detém ! Ninguém ! Jesus não fundou nenhuma religião. Sua Doutrina era o Amor Universal.

Qualquer ser humano que pratica o " amar a Deus acima de tudo e o próximo como a ti mesmo " é Cristão, pois é isto que Jesus quer que façamos, que amemos uns aos outros, não de palavras, nem de língua, mas por obras e em verdade, segundo o próprio S. João ( I João Cap.3, Vers. 18). Criticar ou comparar maliciosamente as formas de expressão religiosa é comprometer-se com os propósitos abraçados de quem se diz Cristão, principalmente, quando não há consenso na religião ou na filosofia que professamos. Se o Sr. se encontrou no Protestantismo, ótimo ! Mas gostaria que o Sr. entendesse, se já não o fez, que outras pessoas se sentem incrivelmente bem no Espiritismo. Muitas delas estão envolvidas em atividades sociais, levando amor, carinho e ajuda a uma parcela significativamente excluída de nossa sociedade. Tudo isso, independente de crença, raça, nacionalidade, idade... O amor é universal, Sr Cícero, como Universal é o Cristo de Deus.

No mais, gostaria de receber qualquer comunicação de vossa parte, seja no sentido de concordar ou contestar estas minhas humildes colocações. Estou aberto a qualquer diálogo. Em relação ao nosso pensar ideológico, creio que o Sr. não vai refutar o meu ponto de vista sobre o aparecimento do homem sobre a Terra, pois acredito que não tenha argumentos baseados na lógica para defender sua ideia. Seu ponto de vista, Sr Cícero, é um Dogma de Fé e sobre Dogmas eu não discuto.

Fraternalmente,

Anderson





Por oportuno, reproduzo aqui, um diálogo, retirado do Site :
http://www.redemptor.com.br
Uma Leitora questiona um Padre Católico a respeito da existência de Adão e Eva.



156- Pergunta : Ouvi um padre dizer que a história de Adão e Eva, contada na Bíblia, não é verdadeira. A Bíblia não é a palavra de Deus ? Em que devo acreditar ?

156- Resposta : Você provavelmente não entendeu bem o que o padre disse. A história de Adão e Eva é verdadeira, sem dúvida, mas não deve ser compreendida ao pé da letra. Por exemplo, quando Você canta o hino nacional, diz que o Brasil está "deitado eternamente em berço esplêndido". Ninguém vai pensar que existe um berço enorme onde o Brasil está deitado. Mas, através dessa linguagem poética, o autor do hino exprime uma verdade: os brasileiros vivem dentro de um território magnífico, comparável ao berço onde se põe uma criança.

Assim também a Bíblia usa símbolos concretos para explicar coisas espirituais que não podemos ver. Ela diz que Deus formou o homem do pó da terra e insuflou em suas narinas um sopro de vida (Gen 2,7). Mas não pretende que se acredite que Deus tem mãos como nós para modelar uma imagem e que o sopro de sua boca deu vida a uma estátua de barro. É apenas um modo de dizer, utilizado na Bíblia, para revelar verdades muito profundas sobre a nossa vida.

Quer dizer em primeiro lugar que somos criados por Deus: nossa existência é um presente gratuito dele. Não existimos por acaso, nem somos donos da nossa vida, mas a recebemos de Deus. Ele nos criou à sua imagem e semelhança (Gen 1,27), num gesto de amor, para nos comunicar a sua vida e felicidade. O ser humano será feliz à medida que reconhece Deus como seu criador, i.e. colabora com o plano de Deus para que reine a justiça e a paz em toda a família humana.

Este é o verdadeiro sentido da história de Adão e Eva. A Bíblia não é um livro científico nem uma história como qualquer outra. É um livro religioso. Só pode ser entendida quando Você procura nela a mensagem de Deus para sua vida. (João A. Mac Dowell S.J.)


157- Pergunta : Segundo a Bíblia, o primeiro homem e a primeira mulher foram criados por Deus. Mas a ciência diz que a espécie humana surgiu de outros animais através da evolução. No que devo acreditar ?

157- Resposta : Não existe contradição entre a verdadeira fé e a verdadeira ciência. Elas tratam da origem do ser humano sob aspectos diversos. Quando a Bíblia diz que o mundo foi criado em seis dias ou que Deus formou Adão do pó da terra e Eva de uma costela de Adão, está usando uma linguagem simbólica, como quando o marido chama sua mulher de "meu coração". O ensinamento da Bíblia não é uma explicação científica da origem da espécie humana, mas uma mensagem religiosa sobre o sentido de nossa vida. Nem por isso deixa de ser verdadeiro, como é verdadeira a declaração de amor do marido à mulher.

Portanto, não há nenhuma oposição entre a narração bíblica e a ciência, quando esta afirma que a evolução do universo desde a sua origem até o aparecimento da vida humana levou bilhões de anos. Nem é contrário à fé cristã admitir que o ser humano surgiu por evolução a partir duma série sempre mais perfeita de animais, chamados pelos cientistas primatas e antropoides. São teorias científicas hoje bastante aceitas. Você como cristão não é obrigado nem a aceitar nem a recusar a teoria da evolução. Também não precisa acreditar que o primeiro homem se chamou Adão e a primeira mulher Eva, porque não é isso que Deus nos quer ensinar através da Bíblia. Adão em hebraico significa simplesmente "homem" e Eva significa "mãe dos viventes".

O cristão pode aceitar a evolução, mas deve acrescentar que todo este universo em transformação, e especialmente o homem, foi criado por Deus. Se o corpo humano tem sua origem na matéria viva já existente, a alma espiritual é criada imediatamente por Deus. Portanto o homem, ao contrário dos outros animais, não deriva simplesmente do universo material: tem uma relação direta com Deus, do qual recebe a sua capacidade de compreender e amar, a sua inteligência e liberdade. A ciência não pode verificar se as afirmações da fé são verdadeiras ou não. Ela trata apenas do que pode observar através dos seus métodos. Mas a criação do mundo e do homem não são acessíveis à observação científica. Se o cientista nega que o mundo foi criado por Deus ou afirma que o ser humano é pura matéria, ele está saindo do seu campo e entrando no campo religioso. Como cientista, ele não tem competência para decidir esta questão, assim como a fé não pretende decidir se a evolução é um explicação verdadeira ou falsa dos dados da realidade.

(João A. Mac Dowell S.J.)


PECADO ORIGINAL

158- Pergunta : Meus amigos gozaram de mim quando disse que todos os males da humanidade foram causados por Adão e Eva quando comeram do fruto proibido. Devo acreditar nessa história da Bíblia ?

158- Resposta : Os primeiros capítulos do livro do Gênese têm um estilo muito especial. Quem não sabe ler estas narrações como se deve, acha tudo ridículo. De fato, a cena da serpente tentando Eva a comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal emprega uma linguagem figurada, como a que se usa na poesia ou mesmo nas histórias para crianças. Ninguém deve pensar que uma serpente falou e que o pecado de Adão e Eva consistiu em comer uma fruta. Mas, através dessas imagens, a Bíblia nos oferece um ensinamento religioso muito profundo. Por que existe tanto mal no mundo ? Por que o ser humano sente a tentação da ambição, da inveja, da violência ? Será que Deus é responsável de tudo isso ? No início do Gênesis já tinha ficado claro que tudo o que Deus criou é bom. Essa frase é repetida sete vezes, a respeito de cada tipo de criatura. Então donde vem a maldade humana com suas terríveis consequências ? A narração bíblica explica que a culpa é do próprio ser humano : Prefere seguir o seu desejo egoísta a obedecer à orientação de Deus. Em vez de comportar-se como uma criatura, pretende "ser como Deus", decidindo o que é bom e o que é mau, segundo o seu capricho.

Mas a Bíblia introduz um outro personagem na história. O homem e a mulher não estão sozinhos diante de Deus. A serpente significa o tentador, o inimigo de Deus, que procura destruir o plano da criação e provocar a desgraça da humanidade. Ele quer nos enganar sobre o nosso verdadeiro bem. Todos nós sentimos esses pensamentos e desejos egoístas. Mas o ser humano pode resistir à tentação. Segundo o ensinamento da Bíblia, ele é livre para dizer não ao maligno e sim a Deus. Quando peca, vira às costas a Deus, fonte da vida, recusa a sua amizade e a felicidade que ele promete. Comer o fruto proibido é simplesmente ceder à tentação e desobedecer à ordem de Deus. Daí vem todo o sofrimento da humanidade.

É esta a grande lição da história do pecado de Adão e Eva. Confiar em Deus, seguindo o caminho que ele mostra, é fonte de bênção. Afastar-se de Deus para seguir os próprios caminhos, é a causa de toda a miséria da humanidade. Por causa do seu pecado, Adão e Eva são expulsos do paraíso, onde viviam felizes juntos de Deus. É uma imagem das consequências da recusa de Deus e do seu amor. Mas a bondade de Deus supera a nossa maldade. Ele promete a salvação por meio da descendência da mulher. Jesus esmagará a cabeça da serpente.

(João A. Mac Dowell S.J.)


161- Pergunta : Segundo a teoria da evolução, os primeiros seres humanos eram muito primitivos. Como isso se concilia com a história de Adão e Eva que viviam felizes no paraíso antes de pecarem ?

161- Resposta : Em primeiro lugar é preciso entender bem o que pretende dizer o livro do Gênese com a história de Adão e Eva no jardim do paraíso. Não se trata dum lugar em alguma parte da terra. Mas duma maneira simbólica de descrever uma situação ideal de felicidade do ser humano, resultado de sua amizade com Deus. A Bíblia quer dizer que Deus, ao criar o homem, ofereceu-lhe a oportunidade de se realizar através do amor.

Mas o primeiro homem, conforme a Bíblia, não aceitou a proposta de Deus. Por um ato livre de sua vontade, preferiu seguir os seus desejos egoístas. Por causa dessa desobediência afastou-se de Deus, perdendo todos os bens que ele lhe prometera. Portanto, a situação ideal, descrita com a imagem do paraíso, nunca se realizou. Com o seu pecado Adão não foi privado duma perfeição que já possuía, mas perdeu a oportunidade de entrar num estado superior de vida e felicidade, que lhe era oferecido.

Entendida dessa maneira a verdade religiosa do paraíso e do pecado de Adão não se opõe à explicação científica da origem da espécie humana através da evolução biológica. Como a situação paradisíaca era apenas uma oferta, recusada pelo primeiro homem, nunca foi uma realidade histórica. Portanto, não interferiu na evolução, nem modificou as condições de vida dos primeiros seres humanos, como são descritas pela investigação científica. Mas o pecado de Adão é um fato histórico. Apesar de não se manifestar externamente, teve consequências negativas. Se o dom de Deus tivesse sido acolhido pelo homem, a história da humanidade teria sido muito diferente.

Por outro lado, o fato de ser primitivo do ponto de vista tecnológico, mais ou menos como alguns povos indígenas que só conhecem instrumentos de pedra, não impediu o primeiro homem de tomar decisões livres. A qualidade moral duma pessoa e a intensidade de sua fé religiosa não dependem do grau de evolução cultural. De fato, conhecemos pessoas, consideradas altamente civilizadas, que não demonstram possuir nenhum sentimento moral. Ao contrário, existem pessoas culturalmente simples e atrasadas, que têm uma sensibilidade moral e religiosa muito fina: são plenamente capazes de distinguir entre o bem e o mal.

A teoria da evolução não deve abalar a sua fé na verdade cristã do pecado original.

(João A. Mac Dowell S.J.)


OBS : Os seguimentos em negrito acima, foram destaques feitos por mim.

Jefferson S.B.






Os Textos a seguir foram retirados do Site www.cacp.org.br. Permissão concedida pelo Centro Apologético Cristão de Pesquisas - Departamento de Estudo.



ADÃO E EVA, MITO OU REALIDADE ?



Eva e a serpente

"O Mendigo Lázaro não existiu em carne e osso. Adão e Eva também não."



Essa declaração procede de um dos mais destacados padres da igreja Católica Apostólica Romana no Brasil.



No livro “Tranquilamente Católico” ( edit.Paulus ), o Senhor José Fernandes de Oliveira, mais conhecido como “Padre Zezinho”, escandaliza católicos e evangélicos com a alegação de que muitos personagens da Bíblia eram apenas “conto da carochinha”, inclusive o primeiro casal bíblico, Adão e Eva.

Não é de hoje que ateus e agnósticos adeptos do ceticismo materialista descartaram as narrativas do “Gênesis” como fatos históricos, relegando-as a meras figuras de retórica, quando não, a lendas e superstições.

Como bem expressou o escritor e teólogo Joe E. Tarry : “É fácil entender os ataques fora da Igreja, mas é difícil entender os de dentro dela”

Mas o inevitável aconteceu ! Nos séculos 18 e 19 nasce na Alemanha em arraial protestante, e posteriormente também nos católicos, a chamada “Alta Crítica”, desenvolvida e aplicada por teólogos liberais. Este era um método literário de interpretação que consistia num exame minucioso do texto bíblico, de maneira naturalista e racional, relegando os milagres bíblicos a meras lendas e contos populares. Até mesmo muitas passagens, locais, personagens e costumes considerados pela igreja durante séculos como verídicos, foram postos sob suspeita. Tendo este pano de fundo histórico em mente, podemos então entender onde se firmam as bases do liberalismo teológico de padre Zezinho e suas afirmativas a respeito de Adão e Eva, e consequentemente por fim, toda a Bíblia.


Mas quem é Padre Zezinho ?



Padre Zezinho

José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, scj, nasceu em Machado, Minas Gerais, em 8 de junho de 1941. Seu pai era violeiro – daí o gosto pela música. Zezinho é o caçula de seis irmãos. Seu pai era também boiadeiro e, numa das viagens, quando conduzia gado para São Paulo, lesou a espinha. Acabou morrendo paralítico. Foi nessa época que começou a conviver com os padres, que davam assistência à sua família. Sua mãe também morreu paralítica, devido a complicações de diabetes nas pernas.

Ordenado padre aos 25 anos de idade em 1966 nos EUA, logo assumiu o teatro e a música em 1967 e os meios de comunicação em 1969.

Zezinho, scj é, segundo atestam editores, sacerdotes, missionários, bispos de vários países e até lideres de outras Igrejas, o cantor mais conhecido em todas as Igrejas e um dos que mais arrastam multidões. Na verdade ele foi um dos pioneiros da música católica. Já compunha desde 1964, mas oficialmente iniciou sua carreira de cantor em 1967. Em 1969 gravou seu primeiro compacto intitulado "Shalom" com a Paulinas COMEP. O sucesso de suas músicas foi imediato e logo se tornou um profeta para o povo católico.

“...padre quando abre a boca tem que saber do que está falando".

Padre Zezinho



O seu Livro : Tranquilamente Católico



Livro Pe-Zezinho

A referida obra foi escrita com o objetivo de recatequizar os católicos como subentende o título, e em contra partida, ridicularizar os evangélicos fundamentalistas, taxando-os de proselitistas, tapados e antiquados. O conteúdo do livro possui um forte apelo ao ecumenismo, e na opinião do padre, a Igreja que não entra no esquema ecumênico não pode ser levada a sério pois é radical, fanática e por isso não é de Jesus !

Usando uma ironia filosófica, própria dos padres polemistas católicos, ele assegura que o cristão, tanto católico quanto evangélico, precisa enxergar o que há de “bom” na igreja do outro ! Precisa haver diálogo ! Diz padre Zezinho. Ele sabe que as sagradas escrituras proíbem fazer ou adorar imagens, mas também “entende” a necessidade de um católico tê-las como ajuda na sua adoração a Deus.

E ele não está sozinho nessa estrada. O autor católico José Bertolini segue nas pistas do senhor José Fernandes quando afirma a mesma coisa em seu livro “Tire suas dúvidas sobre a Bíblia”, na pergunta 52 da página 80. Diz ele : “Com o passar do tempo, Adam e Havvah, se tornaram nomes de pessoas. Daí passou-se a crer que a humanidade inteira começou com um casal chamado Adão e Eva. O Novo Testamento, e muita gente depois dele, também foram nessa direção.”



INFLUÊNCIA DO EVOLUCIONISMO



Papa João Paulo II

O Papa João Paulo II, num documento enviado à Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano, em Outubro de 1996, foi a favor da teoria da evolução, se bem que ele, não estava apresentando nada de novo, pois um de seus antecessores, o Papa Pio XII, já tinha dado a entender na encíclica “Humani generis” de 1950 sua simpatia por essa teoria.



Papa Pio XII

É claro que as investigações da “Alta Crítica” foram influenciadas pela teoria evolucionista. Isto explica em parte essa posição da teologia católica a todos os que creem literalmente nos relatos Bíblicos taxando-os de fundamentalistas que “creem na Bíblia ao pé da letra”. É interessante o que o apologista Josh McDoweel registrou sobre este assunto citando Herbert Hahn :



“...O conceito genético da história do Antigo Testamento ajustava-se ao princípio evolucionário de interpretação que prevalecia na ciência e na filosofia contemporâneas”. No campo das ciências naturais, a influência exercida por Darwin tinha feito da teoria da evolução a hipótese predominante que afetava todas as pesquisas.”

Dave Hunt que há vinte anos pesquisa seitas e ocultismo, comenta sobre a opinião de certo sacerdote católico favorável à evolução. Diz ele :

"Edward Daschbach, um sacerdote católico, explica que tomar a Bíblia literalmente exigiria admitir que a mulher que se assenta sobre a besta em Apocalipse 17 é a Igreja Católica Romana !" Ele escreve : "A Igreja, portanto, não aceita... a interpretação literal dos primeiros capítulos do livro de Gênesis... Quando os que advogam o criacionismo aplicam suas ferramentas fundamentalistas a este último livro [Apocalipse], a Igreja muitas vezes se torna alvo de veementes ataques".

Protestantes que, como Charles Colson, juntaram forças com Roma, advogam que o catolicismo concorda com eles sobre a inerrância da Bíblia. Ao contrário, o Concílio Vaticano II declara: "... Daí afirmarmos que a Bíblia é livre de erro naquilo que pertence à verdade religiosa revelada para nossa salvação. Não é necessariamente livre de erro em outros assuntos, como por exemplo, as Ciências Naturais ".


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