A REENCARNAÇÃO NA BÍBLIA




                 Não é difícil identificar os Textos Sagrados e abri-los com as chaves apropriadas. Basta ter olhos de ver, basta levantar a letra e procurar o espírito que ela oculta.

                 Como todos os Livros Sagrados, a Bíblia está repleta de um simbolismo cujas chaves, embora rigorosas e universalistas, são conhecidas de poucos. A essa luz, não poderia contestar-se a presença do conceito da Reencarnação na Bíblia judaico-cristã.

                 Conta-se que, um dia, Cristóvão Colombo foi interrogado por um eclesiástico que pedia para lhe indicar a passagem bíblica onde se dissesse que a Terra era redonda. O grande navegador teria respondido, aproximadamente : "Não o posso fazer porque a Bíblia não o diz. Mas também não afirma, em parte alguma, o contrário." De modo semelhante, podemos dizer que, se em nenhuma passagem a Bíblia afirma expressamente a realidade da Reencarnação, também em nenhuma passagem a nega. Entretanto, são vários os trechos, tanto no Antigo como no Novo Testamento, em que, implicitamente, está presente a noção da pluralidade das existências ou, pelo menos, a sua admissão.

                 A Escritura propõe-se revelar verdades intelectuais, e não repetir conceitos que eram do conhecimento geral, como é o caso da Reencarnação. Há, na realidade, diversos textos que deixam entrever a crença de que a morte não era para sempre, que o homem voltava à terra ; que Deus o retirava do Sheol e, mais do que isso, que o Senhor "amava uns antes de nascerem e repudiava outros", quando um dos dogmas fundamentais do judaísmo era o do livre-arbítrio, não podendo Deus, por isso, amar nem rejeitar sem motivos precisos, consequentes do comportamento da pessoa.

                 A ressurreição pode, então, ser entendida de dois modos diferentes, mas complementares : A do corpo, que se refere ao renascimento físico, e a do espírito, que se relaciona com a libertação da roda dos nascimentos e mortes sucessivas, a qual Paulo chama "salvação eterna" na sua carta aos Hebreus (Hb. 7, 25), quando já não for possível morrer mais vezes, como se afirma em Lc. 20, 36.

                 Esperamos demonstrar de forma evidente que, sem as Leis do carma e da Reencarnação, qualquer construção teológica é precária e insustentável, exceto com base numa crença cega e fanática, de que ninguém minimamente lúcido pode fazer apologia.

                 Jesus deixa claro que nem todos estavam aptos a entenderem a verdade como ela hoje nos é apresentada pela Doutrina. Afinal, a encarnação do Mestre foi há dois mil anos. Não havia condições intelectuais para se entender as abstrações da vida espiritual. Por este motivo, o Mestre sempre dizia : "Os que têm olhos para ver, vejam ; os que têm ouvidos para ouvir, ouçam." Não falou claramente da Reencarnação, nem da vida após a morte, mas o fez nas entrelinhas. As Escrituras Sagradas nos fornecem subsídios importantes para crermos na Reencarnação como dádiva de Deus. E mesmo porque a palavra “Reencarnação” só passou a existir no século XIX, na França, porém, a crença na pluralidade das existências já existia na época de Cristo e até antes Dele.

                 A Reencarnação é a válvula redentora e evolutiva dos espíritos, que têm, por Determinação Divina, curso forçado, gostem ou não os preconceitos estultos de todos os escravos de fanatismos sectários.

                 Através da comunicabilidade entre os dois planos da vida, físico e espiritual, dá-se a REVELAÇÃO, através da REVELAÇÃO conhece-se a VERDADE e através da VERDADE o Filho de DEUS se LIBERTA. Mas, isto, nunca interessou aos fabricantes ou comercializadores de religiões e nem aos politiqueiros, pois quanto mais ignorante, crente e carente for o povo, mais fácil será manipulá-lo e explorá-lo.

                 Quando os pais ensinarem aos seus filhos, desde o berço, como viver os Dez Mandamentos, a prática do Bem e do Bom, e o Cultivar das virtudes redentoras do Espírito, Carismas ou Mediunidades, então, a Humanidade será bem diferente desta que está cheia de tantos “vendedores de pedacinhos do céu” ; enchendo estádios e mais estádios, impondo ao povo o cabresto do fanatismo, pregando a teologia da prosperidade e com promessas de “salvação”, para aqueles que não querem ter responsabilidade de seus atos, deixando essa responsabilidade para Deus, pois assim é mais cômodo e não exige esforço. Desejamos sinceramente que um dia, esses líderes religiosos possam falar verdadeiramente de Jesus para preencher os corações alheios, e não seus próprios bolsos.

                 A Doutrina da Reencarnação restaurada, com a Lei, o Verbo Modelo e os Dons Mediúnicos nobremente cultivados, tudo fora de clerezias, simulações, ritos e engodos, fará a todos entenderem que a JUSTIÇA DIVINA paira acima de celebrações e malícias, hipocrisia e Dogmas ( verdadeiros cadeados do raciocínio ) que não admitem contestação, os quais tiveram seus fundamentos na quintessência da teologia : "Credo quia absurdum", ou seja, "Acredito mesmo que seja absurdo", princípio, ainda adotado nos dias de hoje por algumas religiões, que se limita a ensinar que a fé, para crer, não necessita de compreender ( Tertuliano, 155-220 d.C, apologista Cristão ).

                 Como prefácio às passagens Bíblicas, lembremos da declaração de uma figura bem conhecida dos Católicos : Santo Agostinho, em sua Obra “Confissões”, Livro 1, capítulo VI :

"Dizei-me, eu vo-lo suplico, ó Deus, misericordioso para comigo, que sou miserável, dizei se a minha infância sucedeu a outra idade já morta, ou se tal idade foi a que levei no seio de minha mãe ? (...) E antes desse tempo, quem era eu, minha doçura, meu Deus ? Existi, porventura, em qualquer parte ? Era Eu, por acaso, alguém ?"  

                Além do que, Santo Agostinho também acreditava na comunicação entre vivos e os espíritos dos mortos. Em sua Obra "De Cura Pro Mortuis" ( Tratado dos Mortos ), Ele nos diz : "Os espíritos iluminados de pessoas falecidas podem trazer conhecimentos para nós deles mesmos e de outros espíritos superiores a eles, e até de Deus." (...) "Ao invés de ficarmos acreditando que é a divina providência que faz de tudo um uso acertado para instruir os homens, consolá-los e induzi-los ao bem, por que não atribuir esses fatos aos espíritos dos finados?". ( Destaques meus ).







A REENCARNAÇÃO NO VELHO TESTAMENTO


Gênesis 4:3-7   “ Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.”

* Por que Deus teria se agradado da oferta de Abel e não da oferta de Caim ? É lógico que Deus conhecia os Espíritos de Caim e Abel e também sabia que existia uma diferença de evolução espiritual entre eles. Se os Espíritos fossem criados no momento da concepção carnal, como poderia haver diferenças evolutivas entre os dois irmãos ?




Gênesis 15:15-16   “Tu, porém, irás em paz para teus pais; em boa velhice serás sepultado. Na quarta geração, porém, voltarão para cá; porque a medida da iniquidade dos Amorreus não está ainda cheia.”

* Nesta aliança com Abraão, Deus promete o retorno daquele povo na quarta geração, pois é nesta época que os Amorreus teriam condições de resgatar seus débitos. É lógico que eles voltaram nos seus descendentes, em outros corpos, para receberem o pagamento (Shalém) dos Amorreus em outras encarnações, porém com o mesmo Espírito com que viveram na época de Abraão.




Gênesis 25:22-23   “E os filhos lutavam no ventre dela ; então ela disse: Por que estou eu assim ? E foi consultar ao Senhor. Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas estranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o mais velho servirá ao mais moço.”

* Perguntamos : Se o nosso destino atual não fosse determinado pelas obras de nossas existências passadas, como poderia Deus ser justo, permitindo que Esaú servisse ao irmão mais jovem Jacob, sem que houvessem cometido atos merecendo um a servidão e o outro um nobre destino ??? Evidentemente, só as vidas anteriores podem explicar a luta de Jacob e Esaú ainda no ventre materno, antes do nascimento de ambos. Em razão de seus méritos, adquiridos em vidas pregressas ou anteriores, Jacob mereceu o amor de Deus, a ponto de ser mais querido do que o seu próprio irmão.




Jó 14:14   “Morrendo um homem, porventura tornará a viver ? Todos os dias em que agora combato espero até que chegue a minha mudança”.

* Não havia motivo para o patriarca questionar sua fé na sobrevivência. Certamente referia-se à possibilidade de retomar a experiência humana.




Jó 8:8 e 9   “Pergunta às gerações passadas e considera a experiência dos ancestrais. Somos de ontem, não sabemos nada. Nossos dias são uma sombra sobre a terra.”

* Aqui está uma observação de que devemos buscar, em outras vidas, no passado, as causas do nosso sofrimento. Se alguém hoje não se lembra de ter cometido faltas que justifiquem o seu sofrimento, pergunte às gerações passadas e lá encontrará, com certeza, a resposta às suas dúvidas, uma vez que a vida, na matéria, impede-nos, como uma espessa nuvem, a lembrança das vidas anteriores.




Jó 1:21   “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá".

* Essa é uma das passagens que é clara e sem meios termos e não admite interpretações distorcidas e também não exige "elevado nível cultural" dos exegetas católicos e evangélicos, que são mestres em manipular interpretações tão claras e objetivas como essa. Sem mais comentários.




Salmo 71:20   “Tu, que me fizeste experimentar perigos múltiplos e graves, de novo me farás viver ; das profundezas da terra me levantarás outra vez.”

* Observem a expressão final : “Das profundezas da Terra me levantarás outra vez”. Outra vez ? Está claro o sentido de renascimento, pois a Reencarnação se repete quantas vezes forem necessárias, não cabendo aqui, o sentido da ressurreição que se dá uma única vez, segundo a definição ortodoxa.




Salmo 51:7   “Eis que nasci em iniquidade, em pecado minha mãe me concebeu.”

* As duas frases são inquestionáveis. Como alguém já pode nascer na iniquidade se não tivesse existido antes e cometido essas mesmas iniquidades em outras vidas pretéritas ???   E em seguida é dito : "Em pecado minha mãe me concebeu" - Ora, e como uma Mãe pode conceber uma criança já em pecado se, segundo católicos e evangélicos, o Espírito da criança vai ingressar na vida terrena pela primeira vez e foi criado unicamente para aquele corpo que acaba de nascer ??? Uma Mãe só pode conceber um filho nessas condições, se esse mesmo filho já tivesse cometido erros em outras vidas passadas.




Ezequiel 37:5 e 6   “ E disse a mim : Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem : Os nossos ossos estão secos e está perdida a nossa esperança. Por isso, profetiza e dizei-lhes : Assim diz Adonai, o Senhor Deus : Eis que eu abro vossas sepulturas e vos farei sair delas, ó povo meu e vos reconduzirei à terra de Israel. Saberão que eu sou Iahvéh quando eu abrir os vossos túmulos e vos elevar de vossas sepulturas, ó povo meu. E dei sobre vós o meu espírito e revivereis e reporei a vós sobre a vossa terra. E eles saberão que eu sou Iahvéh, disse isto e fiz o oráculo de Iahvéh.”

* Observe que Iahvéh ( Deus ) fecha o sentido de renascimento, mostrando que os ossos simbolizam o povo de Israel e que ele fará reencarnar a todos, retirando-os dos seus túmulos e fazendo-os voltar reencarnados à sua terra. Ele ( Deus ) não fala que os retiraria na ressurreição do último dia, mas que os retiraria da sepultura, fazendo-os renascer e para voltar à terra de Israel, e não aos céus. Aqui não existe dúvida sobre a Reencarnação e esclarece sobre a inexistência de um último dia para a ressurreição, pois Deus fala : ” Reporei a vós sobre a vossa TERRA “, portanto, voltar à terra não é ressuscitar e sim reencarnar ! ! !




Sabedoria 8:19-20 ( Livro adotado pelos Católicos )   “Fui criança de boas qualidades e recebera, como quinhão, uma alma boa. Ou antes, como era bom, vim a um corpo sem mancha.”

* Fica difícil entender o sentido de suas palavras se não admitirmos que ele se refere a uma existência anterior.




Jeremias 1:5   “Antes que te formasses no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta”.

* Evidencia-se a preexistência de Jeremias e sua elevada posição espiritual, habilitando-o a importante missão junto ao povo judeu, na condição de profeta, ou médium como diríamos hoje.






A REENCARNAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO


Mateus 11:12-14   “E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto. Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos, ouça ”.




Mateus 17:10-13   “Perguntaram-lhe os discípulos : Por que dizem então os escribas que é necessário que Elias venha primeiro? Respondeu ele : Na verdade Elias havia de vir e restaurar todas as coisas; digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às mãos deles. Então entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista.”

* Como se pode ver nas duas citações, Jesus foi bem claro afirmando ser João Batista, Elias reencarnado, no que compreenderam muito bem os seus discípulos, pois se Elias já veio e os discípulos entenderam que Jesus falava de João Batista, está aí uma prova contundente e irrefutável da Reencarnação de Elias, agora como João Batista.

Ainda com relação à volta de Elias como João Batista, Jesus não deixa dúvidas quando disse, em Mateus 11:12-15   " E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto. Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tiver ouvidos, que ouça."

Esta passagem de S. Mateus, não permite equívoco: ELE MESMO é o Elias que há de vir. Não há aí figura, nem alegoria : é uma afirmação positiva. - "Desde o tempo de João Batista até o presente o reino dos céus é tomado pela violência." Que significam essas palavras, uma vez que João Batista ainda vivia naquele momento ? Jesus as explica, dizendo : "Se quiserdes compreender o que digo, ele mesmo é o Elias que há de vir". Ora, sendo João o próprio Elias, Jesus alude à época em que João vivia com o nome de Elias. "Até ao presente o reino dos céus é tomado pela violência" : Outra alusão à violência da lei moisaica, que ordenava o extermínio dos infiéis, para que os demais ganhassem a Terra Prometida, Paraíso dos hebreus, ao passo que, segundo a nova lei, o céu se ganha pela caridade e pela brandura.

E acrescentou : Quem tiver ouvidos, que ouça... Quem tiver ouvidos, que ouça ??? Para Jesus proferir essas Palavras, significa que, certamente, havia muitas pessoas que não tinham "ouvidos" para entender os Ensinamentos de Cristo !!! Ou seja, nem todos estavam em condições de compreender certas verdades.

Além de tudo isso, a volta do espírito à carne fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As ideias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama de reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá ideia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado.

Haja malabarismos hermenêuticos de católicos e evangélicos para tentar negar a reencarnação de Elias como João Batista, dito por Jesus, mais de uma vez ...




Mateus 16: 13-14   “Tendo Jesus chegado às regiões de Cesareia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo : Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles : Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas.

* Examinemos só o caso da hipótese de acharem que Jesus poderia ser Jeremias. É óbvio que se trataria do retorno à vida terrena do espírito de Jeremias no corpo de Jesus, pois o de Jeremias era pó no cemitério em que fora enterrado, cerca de 600 anos antes de Cristo. E se a crença da volta do Espírito à carne era uma crença errônea, por que Jesus não a combateu de imediato ? Se fosse algo que devesse ser combatido por não corresponder à verdade, Jesus não deixaria que seus contemporâneos continuassem pensando que um indivíduo que já tinha morrido pudesse voltar, através de seu Espírito em outro corpo, pois em várias passagens, Jesus demonstrou conhecer os pensamentos mais íntimos das pessoas.




João 3:3-8   “Respondeu-lhe Jesus : Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos : Como pode um homem nascer, sendo velho ? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer ? Jesus respondeu : Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito : Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.“

* Evoca-se o célebre encontro de Jesus com Nicodemos para demonstrar que Jesus ensinava a Reencarnação. Seria essa a evidência maior ? Sem dúvida, é a mais lembrada. O problema é que Jesus emprega uma linguagem simbólica, algo complicado. Favorece a fantasia e a especulação. O profitente sempre a interpreta segundo as conveniências de sua religião. É sempre bom lembrar que a palavra Reencarnação não poderia aparecer nos Textos antigos, pois a mesma teve origem Francesa, no Séc. XIX. Porém, a crença na pluralidade das existências já existia na época de Cristo e até antes Dele.

Há que se deixar bem claro o principal argumento usado pelos contrários à Reencarnação, os quais se baseiam na palavra “anóten”, que em grego tanto pode significar “de novo” como “do alto”.

Sem sequer considerar as dificuldades linguísticas que o grego apresenta ao usar anothen, podemos ver que a palavra grega empregada por João significa “de novo”. E Por que ? Ora, Nicodemos indaga como pode nascer pela segunda vez um homem velho se poderá voltar para o ventre materno". Esta pergunta revela que o mestre de Israel entendeu "de novo" sem a menor dúvida. O Rabbi não retira o que disse : Ao contrário, confirma-o, especificando que o nascimento deverá ser "DE água e DE espírito" ( como no grego original e sem artigo ). E repete : É necessário nascer de novo. Reparem : A Tradução é : Nascer DE água e DE Espírito. E não “DA água e DO Espírito”, como está traduzido nas Bíblias atuais, pois em grego não há artigo diante das palavras "água"   e   "espírito". Não é, portanto, nascer DA água ( o artigo definido, se houvesse na passagem em grego, tornaria o substantivo específico ) do batismo, nem DO espírito, mas DE água ( por meio da água ) e DE espírito ( pela Reencarnação do espírito ).

Pela resposta de Nicodemos, este entendeu que Jesus falava em NASCER DE NOVO e não 'do alto', pois soaria estranho Jesus perguntar, dizendo uma coisa e Nicodemos entender outra. Outrossim, soaria mais estranho Jesus não negar logo em seguida que não era voltar ao ventre de sua mãe para voltar a nascer.

E fica a seguinte pergunta para o detratores do Espiritismo :

Se Nicodemos tivesse realmente entendido que era nascer 'do alto', ele deveria ter perguntado : Como podemos nascer do alto ? Mas não foi isso que ele fez, não é mesmo ??? Nicodemos disse :

"Como pode um homem nascer, sendo velho ? [ou seja : nascer de novo] Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer ?" [novamente aí está : Nascer de novo !!!]

Reafirmamos : Nicodemos entendeu que era 'nascer de novo', pois logo em seguida ele indaga como pode nascer pela segunda vez um homem velho, e se poderá voltar para o ventre materno. Ele não compreendia o processo de reencarnação tão claramente em sua época, por isso ele disse que, como poderia nascer uma segunda vez = 'DE NOVO' !!!

Está claro como água cristalina. Só não vê quem não quer !!!

A essa indagação, longe de protestar que não era isso o que queria dizer, Jesus insiste e confirma suas palavras : "É o que te disse : Indispensável se torna que o homem nasça DE água ( isto é, materialmente, com o corpo denso, dado que o nascimento físico é feito através da bolsa d 'água do liquido amniótico ) e DE espírito ( ou seja, que adquira nova personalidade no mundo terreno, em cada nova existência, a fim de progredir ). Se Nicodemos entendeu à letra as palavras de Jesus, o Mestre as confirma à letra e reforça seu ensino. Com efeito, o espírito, ao reentrar na vida física, pode ser considerado novo espírito que reinicia suas experiências esquecido de todo o passado.

Ah! Mas poderiam dizer : "Esses detalhes não mudam em nada o ensinamento da Bíblia". Bem, só não vê quem não quer. O Estudo apurado e criterioso é fundamental neste caso. Se não dermos atenção a esses "detalhes" correremos o risco de camuflar o verdadeiro sentido dos Textos Bíblicos.

E mais : “...o Espírito sopra...” ( isto é, age, reencarna, se manifesta onde quer ) ; “...não sabes de onde veio...” ( ou seja, a sua última encarnação ) ; “...nem para onde vai...” ( qual será a próxima encarnação )

E se Cristo falava de Batismo, como querem os opositores, por que Ele não convidou Nicodemos para se batizar ? Cristo não batizava ninguém. E por que, diante de tantas curas e milagres e encontros, como no da “Adúltera”, com “Zaqueu”, com o “Centurião”, com a “Cananeia”, Cristo nunca falou em Batismo ? Não seria uma boa oportunidade para esse convite ? No entanto, a sua admoestação era para uma mudança interior : “Vai e não peques mais para que coisa pior não te venha acontecer”.

Segundo as tradições judaicas, o profeta Elias deveria retornar à Terra no advento do Messias. Seria o precursor, aquele que anunciaria sua chegada e o apresentaria. Inferimos que Elias reencarnou como João Batista, pois Jesus refere-se textualmente a isso quando, instado pelos discípulos, diz : “Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram, antes fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim, também, o filho do homem há de padecer nas mãos deles”. João fora decapitado a mando de Herodes. É significativa a conclusão do evangelista, no versículo seguinte : “Então os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista”.

Os teólogos ortodoxos dizem que João Batista vinha com o espírito e o poder de Elias, referindo-se à uma identidade entre dois profetas, não ao retorno do primeiro. Para tanto, inspiram-se em Lucas, na anunciação do nascimento de João (1:17) : “E irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado”.

É uma afirmativa dúbia, já que podemos também considerar esse “espírito e poder de Elias” como a presença do próprio.

A Passagem de Malaquias (4:5), em quem Lucas se inspirou, é mais objetiva, sem margem à dupla interpretação : “Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande, o terrível dia do Senhor. Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais”… O profeta anuncia claramente o retorno de Elias. Considerando sua afirmação, não há como sustentar a fantasia de que João Batista seria seu clone psicológico.




Passagem do Novo Testamento que marca definitivamente os retornos sucessivos do espírito à carne. A Palavra Palingenesia :


Epístola   de   Paulo   a   Tito


Tito 3 : 5 ( Em grego )

Texto em Grego - Tito 3:5




Texto Grego Transliterado :

"...Ouk ex ergôn tôn en dikaiosunê a epoiêsamen êmeis alla kata to autou eleos esôsen êmas dia loutrou paliggenesias kai anakainôseôs pneumatos agiou "


Expressão Traduzida Resultante do Original Grego :

"... não por obras da justiça que tivéssemos feito, mas segundo sua misericórdia nos salvou pelo lavatório da reencarnação, e pelo renascimento de um espírito santo"



* Leiam com atenção o Texto Grego Transliterado. Verificamos, mais ao final, o aparecimento da palavra "paliggenesias" ( παλιγγενεσίας - primeira palavra da terceira linha do texto em grego - Palavra Grifada ), que em português se escreve de forma muito parecida, ou seja : Palingenesia. Ora, para não haver dúvidas, vamos recorrer ao mais conceituado Dicionário deste País - O Dicionário Aurélio, Séc. XXI, o qual leva em consideração a origem e morfologia das palavras, independentes de épocas e costumes. Confiram em seus Dicionários :


Palingenesia :

[Do gr. palingenesía, pelo lat. tard. palingenesia.]

1. V. eterno retorno (1).

2. Segundo Schopenhauer (v. schopenhaueriano), renascimento sucessivo dos mesmos indivíduos.


                Observe que o Dicionário Aurélio recomenda ver a expressão "Eterno retorno". Muito bem. No mesmo Dicionário vamos encontrar :

Eterno retorno.

1. Filos. Na Antiguidade, doutrina comum aos órficos, pitagóricos, jônios e estóicos, segundo a qual o mundo, ao fim de um determinado período, retorna ao caos inicial, a partir do qual novamente se cumprirá um ciclo idêntico ao anterior, e isto em número infinito de vezes; ciclo do mundo, palingenesia.

2. Rel.( religião ). Doutrina segundo a qual a alma se reencarna sucessivamente em diferentes corpos, realizando uma purificação progressiva até alcançar a perfeição. (!!!)

Alguma Dúvida ????????


AH ! Um infeliz detalhe : Os tão "insignes e honestos" tradutores das Bíblias católicas e evangélicas modificaram a tradução da palavra Palingenesia e resolveram colocar : regenerador...(!!!???) Bela saída pela tangente eles tiveram, não ??? O texto, nessas Bíblias, ficou assim :

Tito 3:5 "...não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo." ( Destaque meu ).


Além disso, no texto grego, está escrito: "loutrou paliggenesias". Ora, "loutrou" não significa "lavar", mas significa o "local onde se lava, limpa ou purifica". Vamos encontrar o mesmo problema noutra carta, em Ef. 5, 26, em que S. Paulo, ao falar da vida dos casados e referindo-se à Igreja, usa a mesma palavra "loutrou" : "...fez isto para que ela fosse consagrada e purificada pela água... " ou "...purificando-a com a lavagem da água... ". Parece claro que, nestes dois versículos, as expressões utilizadas nas atuais Bíblias não traduzem a palavra grega "loutrou" como o lugar onde o espírito se purifica e regenera – a Terra – ao longo de sucessivas encarnações, em veículos de crescente perfeição, em perfeita sintonia com a evolução e com os fenômenos da Natureza.


E para complementar, disse Jesus aos discípulos: "...asseguro-vos que, no mundo que há de vir... ou "...em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração..." (Mt 19, 28). Mas, no texto grego escreve-se : "en té palingenesia". A palavra palingenesia, composta pelo prefixo "pálin" (de novo), e "génesis" (origem, nascimento), significa, como já vimos, "Renascimento", "Novo Nascimento" ou simplesmente "Reencarnação". E, como o artigo grego "té", precede a palavra "palingenesia", torna-se claro que o autor se refere a um retorno específico do espírito e não a qualquer outro retorno dos muitos que são possíveis. Como a Cristificação ocorre depois do Espírito se graduar na Escola da Vida, no fim do presente dia de manifestação, este versículo deveria ler-se, da seguinte forma, já adaptado para os dias atuais : "...asseguro-vos que, na reencarnação final...". É a esta fase da evolução, no ponto da Cristificação do Espírito, a que S. Paulo se refere em Heb. 7, 25, quando fala na "salvação eterna", que se alcança quando formos como os "anjos" e já não pudermos voltar a morrer, de acordo com Lc. 20, 36.


                 É evidente que existem outras Passagens do Velho e do Novo Testamento que aludem à Reencarnação. Colocamos aqui apenas algumas para que o Leitor possa refletir sobre determinadas mensagens contidas nas Sagradas Escrituras.




CONCLUSÃO :


                 Devemos estar preparados para vislumbrar a verdade e produzir o bem, porque todos desencarnarão e terão de enfrentar a Justiça Divina, que não é religiosa nem sectária.

                 Todas as Bíblias, Testamentos e Codificações são obras incompletas, falhas e omissas, carecendo de reparos e progressos. E ninguém manifestará o Reino de Deus, em si mesmo, sem CONHECER A VERDADE E PRODUZIR O BEM. Religiosidades e rituais são coisas de inteligências embotadas, viciadas em idolatrias e submissão àqueles que se revestem do direito de falar em nome de Deus.

                 Os Ensinamentos de Cristo não recomendam religião nenhuma e sim o cultivo da VERDADE, do AMOR e da VIRTUDE, porque a Justiça Divina está acima de frivolidades e outras tolices humanas.

                 A Reencarnação é a válvula redentora e evolutiva dos espíritos pois sem ela a Justiça Divina seria tudo, menos Justiça Divina.

                 Em "O Livro dos Espíritos", questão 222, temos : "Muitos repelem a ideia da Reencarnação só pelo motivo de que ela não lhes convêm (...) De alguns sabemos que saltam em fúria só de pensarem que terão de voltar à Terra."

                 Porém, para aqueles que não aceitam a reencarnação pelo simples fato de não querer mais aqui voltar, a Espiritualidade superior nos diz : “Para que volteis, não será pedida vossa permissão, pois um Juiz não consulta a vontade do réu para enviá-lo ao cárcere.”

                 Enfim, para ser ignorante e precipitado, basta exclamar : Não creio !   Mas, para ser sábio e humilde, é suficiente dizer : Não conheço...



Jefferson




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